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2.2.1 Construir o Cronograma e o Orçamento / Técnicas / Técnicas de Estimação

Técnicas para Estimativas (2.2.1.P1)

Existem cursos de capacitação focados especificamente em técnicas de estimativas. Algumas destas técnicas são baseadas nas estatísticas avançadas e nas formulas cientificas que na metodologia TenStep Processo de Gerenciamento de Projetos ficam fora do escopo.

As seguintes técnicas podem ser utilizadas em nível de projeto ou nível de atividade e em qualquer lugar entre os dois. Por exemplo, um parecer técnico pode ser utilizado para auxiliar na criação da estimativa de um projeto ou de uma parte específica do trabalho. As técnicas para estimativas em um nível elevado tipicamente referem-se as técnicas de "cima para baixo". As técnicas de "cima para baixo" incluem Histórico, Analogia e Razão. As estimativas que requerem melhor decomposição de trabalho são chamadas de “baixo para acima”. Por exemplo, A técnica da Estrutura Analítica do Projeto (EAP) é uma técnica de “baixo para acima”.

As técnicas de "cima para baixo" tipicamente são mais fáceis e rápidas para se organizar e utilizar. Normalmente, elas são menos precisas, exceto para estimativas baseadas no histórico e na analogia dos projetos parecidos. Se possível você deve utilizar múltiplas técnicas para estimar um projeto, especialmente se você utilizar as técnicas de "cima para baixo".

  • Histórico Prévio: Esta é sem dúvida a melhor maneira para calcular o trabalho. Se sua organização documentar e arquivar as horas de trabalho de projetos anteriores, você terá informações que o ajudarão a calcular um novo trabalho. Com este método, as características do trabalho anterior, juntamente com as horas de trabalho reais são armazenadas em uma base de dados. Então você poderá descrever as características do seu projeto e procurar para ver se um trabalho semelhante foi executado no passado. Neste caso, você terá uma boa idéia do empenho exigido para realizar seu trabalho.

  • Analogia: Mesmo que você não tenha o histórico das horas reais utilizadas em projetos anteriores, você ainda poderá alavancar o trabalho anterior. Analogia significa que você procura projetos similares. Não importa, se as características não forem exatamente as mesmas. Descreva o seu trabalho e verifique primeiramente a base de dados da sua empresa e interrogue a organização para ver se algum trabalho semelhante foi realizado no passado. Em caso de não ter uma base de dados interrogue a organização. Se você encontrar alguma combinação, pegue as horas de trabalho que o projeto demandou e utilize estas informações para criar as suas estimativas. Se a organização não documenta as horas reais de trabalho do projeto, descubra se há uma estimativa do esforço requerido e da duração das mesmas. O gerente do projeto anterior não deve ter as informações sobre o esforço real utilizado, mas deve ter informações sobre a duração real do projeto. Se a duração real bater a duração estimada, você poderá supor que as horas do esforço também eram aproximadas. Por outro lado, se o projeto ultrapassar 20% da duração estimada, você poderá concluir que as horas do esforço também ultrapassaram 20%. Por exemplo, deixe-nos dizer, um projeto prévio foi estimado para completar em seis meses e com 2000 horas de esforço. Se o projeto realmente for concluído em seis meses, há uma boa probabilidade de que o projeto também utilize aproximadamente 2000 horas do esforço. Por outro lado, se o projeto exigiu sete meses para conclusão, você pôde concluir que o projeto utilizou mais ou menos 2300 horas.

  • Razão: A razão é semelhante à analogia, exceto que você tem alguma base para  comparar trabalhos que têm características semelhantes, mas em uma escala maior ou menor. Por exemplo, você pode descobrir que o trabalho exigido para completar uma instalação de software no escritório do Rio de Janeiro é de quinhentas horas e um dos grandes motivos sobre o esforço requerido é o numero de pessoas que há no escritório. Se existem duas vezes mais pessoas no escritório de São Paulo, o que leva você a acreditar que poderá necessitar de mil horas para instalar este software neste escritório.

  • Parecer Técnico: Em muitos casos você pode precisar de um perito interno ou externo para obter ajuda para estimar o trabalho. Por exemplo, se esta é a primeira vez que você vai utilizar uma nova tecnologia, você poderá necessitar da ajuda de uma empresa externa para lhe fornecer informações. Muitas vezes, estas estimativas baseiam-se nas experiências de outras empresas. Mas, você poderá descobrir que já tem um perito interno na empresa que tenha feito isto muitas vezes.

  • Técnica Delphi: A Técnica Delphi é semelhante ao Parecer Técnico, exceto que você utiliza múltiplos peritos e tenta obter um consenso sobre as estimativas entre eles. Primeiramente, identifique duas (preferivelmente três) ou mais pessoas que você considere especialistas no tipo de trabalho que você está avaliando. A seguir, envie a eles as informações importantes que eles necessitam para entender o trabalho. Eles devem lhe fornecer uma estimativa do esforço requerido, juntamente com todas as Premissas, riscos, etc., que eles identificaram.

Se os números forem relativamente próximos, você deve sentir-se à vontade para utilizar uma média para sua estimativa final. Se as estimativas não forem próximas, ou se algumas são próximas e outras não, envie todas as estimativas, incluindo as Premissas e riscos, para os peritos revisarem. Peça aos peritos que considerem as estimativas, riscos, Premissas, etc. dos outros avaliadores. Então solicite a cada um deles que forneçam uma segunda estimativa do trabalho. Possivelmente você encontrará várias estimativas mais próximas, pois um perito terá a oportunidade de ver o trabalho do outro perito. Com base em um conjunto comum de Premissas e riscos, os peritos podem alcançar um consenso sobre as estimativas, caso contrário, você pode analisá-las para ver se a maioria das estimativas são semelhante e utilizar este número. Você também poderá necessitar documentar um risco de estimação em relação aos peritos que não chegaram a um consenso. Por exemplo, se três peritos estimaram um trabalho de cerca de mil horas, mas um perito defende a idéia de que o trabalho é de duas mil horas, você pode seguir o consenso de mil horas com um risco declarado de que poderá necessitar de até duas vezes mais horas para completar o trabalho, com base no parecer de um dos especialistas.

Uma segunda opção, se você tiver tempo e inclinação, é pedir mais opiniões a outros peritos. Isto lhe dará mais confiança se as estimativas dos novos peritos forem próximas ao número do consenso, e menos confiança (e mais risco) se as estimativas novas não se aproximarem ao número do consenso.

Os cenários acima são exemplos de o que pode acontecer quando múltiplos peritos dão suas opiniões. A técnica Delphi utiliza múltiplos peritos e então fornece uma orientação sobre como fazer se os peritos não concordarem.

  • Estrutura Analítica do Projeto (EAP). A metodologia TenStep para construção de um Cronograma (no Passo 2.1 - Construir o Cronograma e o Orçamento / Processo) discute a decomposição do trabalho em partes cada vez menores. Um dos objetivos da EAP é poder estimar o trabalho com mais facilidade. Você pode olhar para uma parte grande do trabalho e ter dificuldade em determinar uma estimativa do esforço requerido. Porém, com o trabalho decomposto em atividades menores, os componentes individuais serão mais fáceis de estimar. Depois que você estimar todas as atividades, junte-as para obter uma estimativa total. Se você tiver tempo para criar uma boa EAP, normalmente você terá uma boa estimativa. Se você utilizar múltiplas técnicas para criar as estimativas, uma delas deve ser a abordagem do EAP.

  • Estimativa de Três Pontos (ETP): ETP é uma técnica para estimação que utiliza uma média ponderada de três números para propor uma estimativa final. Se for solicitada uma estimativa de um projeto ou atividade, você inicia com três estimativas – o caso mais pessimista (P) será quando tudo dá errado, e o mais otimista (O) quando tudo dá certo e o mais provável (M), dado a problemas e oportunidades normais. A estimativa ETP resultante é (O + 4M + P)/6. Por exemplo, você avalia uma parte do trabalho que provavelmente levará 10 horas, o melhor caso (tudo dá certo) é 6 horas, o pior caso (tudo dá errado) é 26 horas. Utilizando a  estimativa ETP, onde O = 6, M = 10 e P = 26, obtém-se a seguinte equação: (6 + 4(10) + 26)/6. A resposta é 72/6, ou 12 horas. Veja que o número foi levemente “puxado” para a extremidade da estimativa pessimista, pois no resultado ainda pesa muito o valor mais provável.

  • Modelagem de Paramétricas: Nesta técnica, existe um padrão no trabalho que permite a você utilizar um algoritmo para direcionar a estimativa. Por exemplo, se você souber que pode construir um quilômetro de rodovia de uma pista por um milhão de reais, você deverá poder calcular facilmente uma estimativa para dez quilômetros de rodovia com quatro pistas (quarenta milhões de reais). Ou, se lhe pedirem que você crie quarenta relatórios novos, primeiro estime o esforço para um relatório médio (talvez a média entre um relatório pequeno, médio e grande), então, multiplique o resultado por quarenta para obter a estimativa final.

  • Timeboxing. Esta é uma maneira para estabelecer uma das estimativas para estar dentro de um determinado parâmetro. Normalmente, isto pode ser realizado através da focalização em um ou ambos dos outros parâmetros da "Restrição Tripla". Geralmente quando você aplica a técnica Timeboxing, você está forçando o projeto a terminar em uma determinada data. Então, você tem que focalizar nos outros parâmetros "Custo" e "Escopo" da Restrição Tripla de modo que a data possa ser alcançada.

Por exemplo, vamos dizer que você cria um cronograma e baseado no seqüênciamento das atividades, o projeto necessitará de nove meses para ser completado. Entretanto, o seu patrocinador diz que o projeto deve ser completado de sete meses. O prazo indicado pelo patrocinador transforma-se no "Timebox" o qual o projeto deve ser terminado. Para bater este prazo, você poderá necessitar de recursos adicionais para facilitar a habilidade de executar algumas atividades em paralelo, que originalmente foram programadas para serem executadas em seqüência. Este é um exemplo de situações que aumentarão o custo final do projeto. Se você não tiver aprovação para ajustar o orçamento, para alcançar o "Timebox", você poderá ter que eliminar algum detalhe do escopo do projeto. Normalmente, para alcançar um "Timebox", você necessita aumentar o custo, diminuir o escopo ou talvez uma combinação de ambos.

  • Pontos de Função. Algumas organizações de desenvolvimento de TI utilizam pontos de função como meios para fornecer estimativas do trabalho requerido para concluir um projeto de desenvolvimento de um sistema. Os pontos de função fornecem um mecanismo para determinar a complexidade relativa de uma aplicação. A complexidade pode ser expressada como uma contagem de pontos de função. Desta maneira, uma aplicação de 1000 pontos de função é geralmente dez vezes maior e mais complexa do que uma aplicação de 100 pontos de função.

Começar sem muitos detalhes, os pontos de função avaliam o tamanho de uma aplicação em uma perspectiva do usuário. Os usuários olham relatórios, telas, e talvez arquivos de dados. Também vejam a funcionalidade do negócio, as interfaces as outras aplicações, as bases de dados, as tabelas, etc. Faz sentido que uma aplicação com oitenta (80) telas e vinte (20) relatórios seja provavelmente maior do que uma aplicação com vinte (20) telas e cinco (5) relatórios. Esta maneira de ver o tamanho é independente da língua de desenvolvimento e da tecnologia. De fato, uma aplicação com um número menor de telas pôde requerer mais linhas de código, mas isto não é mais relevante nos cálculos do tamanho.

Nos primeiros estágios do processo de planejamento, você não pode utilizar a técnica ponto de função para criar as estimativas. Entretanto, uma vez que você souber o número de telas, de relatórios, de interfaces, de transações, etc., você pode criar uma estimativa em um nível elevado dos pontos de função. Uma vez que você obteve experiência em contagem de pontos de função em alguns projetos anteriores, você começará a ver o esforço médio requerido para concluir um ponto de função. Após isto, somente aplique as matemáticas para determinar o esforço total requerido, seguido pela duração e o custo.

Estimar em Fases (2.2.1.P2)

Um dos aspectos mais difícil nas estimativas dos projetos é quando você não saber exatamente qual atividade ou trabalho será realizado no futuro. Pode ser muito difícil definir e estimar atividades programadas para começar somente após três meses, e mais difícil ainda estimar atividades programadas para começar somente após seis ou nove meses. A principal razão disso é que as decisões tomadas e as entregas produzidos anteriormente, podem ter um impacto positivo ou negativo nas atividades futuras. Com isso, quanto mais longo for o prazo para iniciar uma tarefa, mais riscos serão introduzidos.

A melhor abordagem para projetos grandes é fracionar os trabalhos em uma série de projetos pequenos. Cada projeto pequeno poderá então ser planejado, estimado e gerenciado com maior chances  de sucesso (Para melhores detalhes sobre este assunto veja a sessão 1.2 Definir Tarefas / Técnicas - Fracionar Projetos Grandes em Projetos Pequenos e gerenciar como um programa). Na perspectiva da estimação, o primeiro projeto pode ser estimado com maior precisão e os projetos subseqüentes em um nível elevado. Quando um projeto for completado, o próximo projeto poderá ser estimado com um grau maior de confiança e estimativas redefinidas para os projetos restantes. Esta técnica também fornece pontos de checagem (Marcos) ao final de cada projeto, fazendo com que toda essa iniciativa possa ser revalidada, baseada nas estimativas atuais e  para validar que o programa continua viável.

 

Estimando Custos Fixos e Variáveis (2.2.1.P3)

Você poderá ouvir falar nos termos “custos fixos e variáveis” quando estiver estimando um projeto. Custos variáveis são aqueles que variam relativamente ao número de unidades utilizadas. O custo variável mais óbvio em um projeto é o de contratação de mão-de-obra. Quanto mais horas você alocar de um contratado, mais custo terá o seu projeto. È importante compreender os custos fixos e variáveis para o seu projeto e o impacto no projeto quando você acrescentar ou diminuir as horas dos contratados. Muitas vezes, os custos dependem de recursos específicos, por exemplo: Um funcionário interno efetivo pode ter um custo hora de R$ 50,00 (mais benefícios) e um contratado temporário similar pode ter um custo hora de R$ 90,00.

Os custos fixos basicamente  não alteram, ou seja, valores “fixos” não importando os recursos que estão sendo utilizados no projeto. Por exemplo, se você está construindo uma casa, os custos relacionados ao material como tijolos e concreto serão os mesmos quando o projeto for aprovado pelo contratante e o contratado. Se você terceirizar uma parte do seu projeto,  por um preço fixo, a um contratado, este custo se tornará um custo fixo dentro do projeto (Não importando se o trabalho terminará dentro ou fora do prazo estimado, porque o custo aprovado entre o contratante e o contratado antes de iniciar os trabalhos do projeto é fixo).

 

Estimando Atividades Classificadas como Recurso Restrito ou Tempo Restrito (2.2.1.P4)

As atividades ou tarefas podem ser classificadas como “Tempo Restrito” baseado no fato da duração da atividade poder ou não,  mudar, através da alocação de recursos adicionais. Uma atividade é classificada como “Recurso Restrito” se a duração variar baseada no número de recursos aplicados. Por exemplo, você estima duzentas horas para uma pessoa construir o telhado da sua casa, se esta pessoa trabalhar quarenta horas por semana, o trabalho deverá ter uma duração de cinco semanas para ser concluído. Se você colocar duas pessoas neste trabalho, o esforço continua sendo de duzentas horas, mas a tarefa levará duas semanas e meia para ser concluída. Se houvessem cinco pessoas trabalhando nesta tarefa, esta levará uma semana para ser concluída (O tempo da atividade não cai tão proporcionalmente como apresentado acima, mas este trabalho poderá ser feito no total de oito dias). Uma atividade é classificada como “Recurso Restrito” se a duração for baseada na quantidade de recursos que podem ser utilizados nesta atividade. O restrição é baseada na quantidade de recursos e não no tempo.

Por outro lado, se a atividade é de “Tempo Restrito” a duração continua a mesma não importando a quantidade de recursos aplicados. Por exemplo, se você cursar um dia de aula, a atividade terá uma duração de oito horas, se duas pessoas cursarem a mesma  aula, o tempo do curso será as mesmas oito horas. A mesma coisa acontece com o tempo que leva para um concreto secar, ou enviar uma carta. O tempo destas atividades não tem a ver com a quantidade de pessoas envolvidas, elas apenas alocam uma certa quantidade de tempo. Se você achar que aplicar os recursos adicionais não possui nenhuma influência na duração do projeto (ou pequena influência), então esta atividade é de “Tempo Restrito”.

 

Inclua o Tempo de Reuniões do Projeto e os Encontros Colaborativos na Estimativa do Projeto (2.2.1.P5)

Tipicamente, as reuniões da empresa e dos departamentos não estão sob seu controle e também não são contabilizadas no cronograma ou nas estimativas do projeto. Estes encontros poderão ser contabilizados nas estimativas de duração se você utilizar um fator de um número reduzido de horas disponíveis por dia para cada recurso (exemplo; 6.0 ou 6.5 por dia). No caso onde as reuniões departamentais são agendas de forma fixa (Semanalmente ou mensalmente), você poderá incluir estas reuniões no cronograma. Este tempo poderá não impactar o orçamento do projeto, mas impactará o cronograma do mesmo.

Por outro lado, reuniões que são relacionadas ao projeto deveriam ser incluídas no Cronograma e adicionadas nas estimativas de esforço e custo do projeto, porque estes tipos de reuniões estão sob o controle da equipe do projeto. O Gerente do Projeto pode marcar estes encontros para ser realizado com a duração de uma hora, em uma base quinzenal, ou diária.

Da mesma forma, tente contabilizar o tempo total requerido para todos os participantes em reuniões colaborativas. Por exemplo: Se você estiver planejando revisar todas as entregas (walkthroughs), assegure-se de que você incluiu o tempo de todos os participantes. Quando estiver circulando os documentos para aprovação, inclua também algum tempo de revisão que será necessário para cada participante envolvido. Se você estiver planejando fazer reuniões no final de cada Marco, tenha certeza de incluir o tempo para cada participante.

 

Inicie com uma Margem para sua Estimativa (2.2.1.P6)

Muitas vezes você é solicitado a fazer uma estimativa em um nível elevado para um projeto ou para uma atividade de trabalho individual. Normalmente lhe pedem para produzir um número, por exemplo, 1000 horas. Porém, se possível, todas estas estimativas em nível elevados deveriam ser fornecidas dentro de uma margem. Esta margem refletirá o nível de incerteza da   estimativa. Por exemplo, uma estimativa em nível elevado poderia ter uma margem de precisão de + ou - 50%.  Em nosso exemplo anterior de 1000 horas, o que você poderia dizer ao invés é que o trabalho provavelmente levará entre 500 e 1500 horas. Uma outra maneira de dizer a mesma coisa é dizer que você estimará o trabalho em 1000 horas, mais ou menos 50%. Se existir muita incerteza em relação à estimativa, você poderá até mesmo dar uma margem de erro de  +/- (mais ou menos) 100%. Porém, o objetivo de fornecer a margem é auxiliar no gerenciamento das expectativas. Se você disser que o trabalho estimado é de 1000 horas, provavelmente este será o número ao qual você terá que se prender. Devido as informações que você conhece, este poderia ser um número difícil de alcançar. Se você fornecer uma margem de estimativa, você terá uma probabilidade muito maior de entregar o trabalho dentro da estimativa, e você terá uma maneira de mostrar o grau de incerteza nos números.

1 Sigma – 68% de Precisão

2 Sigma – 95% de Precisão

3 Sigma – 99,7% de Precisão

6 Sigma – 99,9999% de Precisão

Maior precisão na estimativa, maior margem de estimação.

 

Estimando os Riscos - Modelo de Monte Carlo (2.2.1.P7)

Uma das maneiras de você reconhecer a incerteza em suas estimativas é acrescentar um fator de contingência. A reserva para contingência é aumentada quando reconhecemos uma maior incerteza no entendimento daquilo que estamos estimando. Para a maioria dos projetos pequenos e médios, acrescentar uma reserva de contingência razoável é perfeitamente válido, e deve lhe dar uma estimativa final daquilo que você pode alcançar.

Porem para projetos maiores, há técnicas mais poderosas disponíveis para reconhecermos os riscos associados com as estimativas. A mais comum é o modelo de Monte Carlo. O modelo de Monte Carlo inicia mais ou menos como a técnica de Estimativa de Três Pontos (ETP). Mas, ao invés de dar uma estimativa para a duração de uma atividade, por exemplo, você fornece uma série de estimativas que representam o melhor caso, o caso mais provável, e o pior caso. Para cada um destes casos, você atribui também uma probabilidade. Por exemplo, pode haver uma chance de 10% de atingir a estimativa de seu melhor caso, uma chance de 80% de atingir a sua estimativa provável e uma chance de 10% do trabalho atingir o pior caso. Em outras palavras, tem uma chance cumulativa de 90% da atividade ser concluída dentro do cenário provável (10% + 80%) e uma chance cumulativa de 100% do trabalho ser feito segundo a estimativa do pior caso (10% + 80% + 10%).  Você não precisa determinar a probabilidade percentual dos pontos intermediários – somente estes três pontos. (Tecnicamente, você poderá fornecer estimativas para algumas ou todas as probabilidades.)

Então, você deve ter preparado essas três estimativas para cada atividade principal no Cronograma. Por exemplo, No caso mais provável, você pode estimar uma atividade de 60 horas, nos casos mais otimistas de 50 horas e nos piores casos de 90 horas. Essas três estimativas podem necessitar ser preparadas para dezenas (ou centenas) de atividades no Cronograma.

Quando você terminar, a maioria das ferramentas do Cronograma tem a função de executar uma simulação de Monte Carlo. Basicamente, a simulação modela como o projeto progredirá, e alcançará a data estimada para o final. O cronograma é traçado novamente, desta vez utilizando probabilidades diferentes, e calculando uma data diferente do término. A razão pela qual o modelo é executado muitas vezes é para que os percentuais de risco tenham uma chance de acabarem. Por exemplo, em nosso exemplo acima, se a simulação fosse executada 100 vezes, você deveria esperar que cada atividade atingisse o melhor caso 10 vezes (10%), o pior caso 10 vezes (10%) e o caso esperado 80 vezes (80%). Como as ferramentas de modelagem escolhem aleatoriamente os valores calculados com base em probabilidades, muitos cenários de projeto diferentes acabam. Contudo, um padrão básico que surge lhe permite projetar a data em que seu projeto provavelmente será concluído. Isto normalmente é feito buscando-se o limiar onde o projeto termina em 80% - 90% das vezes.

Embora o exemplo acima utilize riscos associados ao cronograma, você também pode utilizar esta técnica para fornecer estimativas dos custos e do empenho. O bom sobre a Simulação de Monte Carlo é que se você fornecer estimativas de atividades em margens, a maioria das ferramentas executarão todos os cálculos estatísticos automaticamente. Você só precisa ter certeza de que forneceu estimativas válidas e razoáveis para as atividades. Você pode ver que o trabalho extra exigido durante o processo de avaliação, fez deste um modelo para ser utilizado em projetos que são muito grandes, ou aqueles que contêm um risco muito grande. Projetos pequenos e médios provavelmente não achariam valor nesta técnica.

 

Erros Comuns Cometidos na Criação das Estimativas (2.2.1.P8)

O processo de estimação é uma arte e uma ciência. Entretanto, uma vez que você aprende bons processos e técnicas de estimação, você poderá mover-se mais para o lado da "ciência" e confiar menos no lado da "arte". Você nuca será perfeito na criação das estimativas, mas pode evitar os erros comuns cometidos na criação das estimativas. Veja abaixo uma lista dos erros que freqüentemente são cometidos.

  • Não contabilizar todo o trabalho. Este é um problema comum, principalmente com estimativas em nível elevado. Por exemplo, pode passar despercebido algum trabalho importante que você não compreendeu como uma parte do projeto, tal como a documentação ou o treinamento. Entretanto, tipicamente você subestima o tamanho das entregas que necessitam ser completadas ou não inclui todas as atividades requeridas para completar a entrega.

  • Criação ilusória. Qualquer pessoa que já forneceu estimativas de trabalhos sabe, que poderá haver uma certa pressão por parte do cliente para que uma estimativa seja a mais baixa possível. Afinal, o cliente quer receber o que ele necessita com pouco esforço e com o menor custo possível. Em muitos casos, também há uma tendência da parte do estimador em deixar se levar e pensar da mesma forma. No final o estimador "reza" para que o trabalho seja completado dentro das expectativas do cliente.

  • Comprometer o cenário do melhor-caso. O cliente quer o trabalho concluído o mais rápido possível. O seu gerente quer o mesmo. Você acha que o trabalho poderá ser concluído rapidamente. Entretanto, você encontrou-se em dificuldades, porque você pensou somente no que faria para concluir o trabalho se tudo desse certo. Você poderá ter pensado em uma escala do esforço para o trabalho (otimista, mais provável e pessimista), mas então no melhor dos casos você comprometeu a estimativa mais baixa, ou mais otimista na extremidade da escala.

  • Assumir um nível qualidade maior do que você pode entregar. Este problema inclui as estimativas baseadas em construir em um determinado nível de qualidade na primeira vez. Entretanto, depois que o projeto começa a ser executado, você descobre que a sua habilidade de construir em um nível elevado da qualidade na primeira vez é limitado, tendo por resultado o retrabalho, os reparos de erros, etc.

  • Comprometer-se baseado no orçamento disponível. Neste caso, o cliente tem uma quantidade fixa disponível para o orçamento. O gerente do projeto acha que há uma possibilidade de completar o trabalho dentro do orçamento disponível, assim ele se compromete baseado nesse número. Este é similar ao problema mencionado acima de “Comprometer o cenário do melhor-caso”.

  • Não reconhecer os preconceitos de estimativas. Os preconceitos de estimativas sempre entram no processo de estimação. Alguns deles são otimistas e outros são pessimistas. Os preconceitos otimistas resultam em subestimar o trabalho e podem incluir:

    • Tendências para pensar que o trabalho é simples.

    • Tendências para pensar que sua equipe pode realizar mais do que ela realmente pode.

    • Não contabilizar os riscos do projeto, das incidências problemáticas, da má comunicação, etc.

    • Tendência para ser otimista.

    Os preconceitos pessimistas resultam em superestimar o trabalho e podem incluir:

    • A má experiência em um projeto similar no passado.

    • Não desejar realmente fazer o trabalho. Você superestima e espera que o projeto seja cancelado.

    • Tendência para ser pessimista.

Todas as pessoas têm preconceitos. A chave é reconhece-los e ir contra os mesmos quando estes surgirem. Isso lhe ajudará a preparar estimativas mais válidas e mais corretas possíveis.

 

Validar uma Estimativa Velha Quando uma Equipe Nova Estiver no Local (2.2.1.P9)

Normalmente, uma equipe de projeto é formada para definir o projeto, construir o Cronograma, e então executar o projeto. Porém, às vezes, o empenho e a duração de um projeto são estimados muito cedo, talvez porque a informação seja necessária como parte das finanças anual da organização. Nestes casos, uma outra equipe poderá ser formada e solicitada para entregar o trabalho baseado nas estimativas criadas anteriormente. Se isto acontecer, uma das primeiras tarefas da nova equipe do projeto é validar as estimativas. Ninguém deseja estar em uma situação de ter que entregar algo dentro das estimativas de outra pessoa. Se você não validar e desafiar as estimativas cedo, a expectativa é que você aceitou as mesmas. O gerente do projeto deve desafiar as estimativas cedo. Se você concordar com as estimativas, muito bom. Se você não concordar, esta é a hora para erguer a bandeira vermelha. Isto é melhor para você e também para a empresa. Por exemplo, você poderá descobrir que se sua nova estimativa é mais alta, a analise dos custos vs. benefícios do projeto já não fazem mais sentido. Novamente, é melhor descobrir isso antes do que depois.

 

Decidir se Você Deverá Incluir os Custos e o Esforço do Cliente (2.2.1.P10)

Esforço do cliente inclui o tempo para revisar e aprovar as entregas, fornecer exigências, participar de reuniões, de treinamentos, etc. Algumas empresas querem entender o esforço e o custo total de um projeto, incluindo a equipe do projeto e o cliente. Em algumas empresas, os custos dos projetos incluem somente as equipes diretas dos projetos. Assim, incluir horas e custos dos clientes em sua estimativa é uma área que você deverá discutir com o seu gerente e com o patrocinador. Se a sua estimativa incluir horas e custos do cliente, estas horas deverão ser mantidas separadas. Embora o número combinado forneça uma estimativa global melhor, o gerente do projeto normalmente não é responsável pelos recursos do cliente e, assim, não deverá ser responsabilizado pelo fato de alcançar ou não estas metas particulares.

 

Esteja Preparado se o Cliente Disser que a Estimativa é Muito Alta (2.2.1.P11)

Depois de preparar sua estimativa, você poderá precisar defendê-la se o cliente pensar que os números são muito alto. Você terá que ser capaz de defender sua estimativa explicando as técnicas de cálculo utilizadas, o processo seguido, e as Premissas que você fez. Se o cliente ainda pensar que os números são muito alto, ou não pode dispor da solução com esse custo, existe outras opções:

  1. Determine se o cliente tem qualquer informação adicional que lhe permita revisar suas Premissas e talvez revisar a estimativa. Por exemplo, se a data final do projeto tiver um pouco de flexibilidade, talvez a estimativa possa ser revisada com base nessa nova informação.

  2. Determine se pode ser reduzida algumos requisitos e funcionalidade em um nível elevado. Em muitos casos, o conjunto inicial dos requisitos é mais do que uma lista de desejos. Após ver uma etiqueta de preços, é possível que o cliente possa viver sem determinadas características.

  3. Se você incluiu uma Reserva de contingência alta para refletir um risco elevado da estimativa, solicite ao cliente mais tempo para obter mais detalhes para atualizar a estimativa. Isso poderá resultar em menor incerteza e riscos e permitir que você reflita isso com uma Reserva de contingência menor.

  4. Reestruture o projeto para incluir somente a fase de análise detalhada. Após a fase de analise ser completada, reestime o resto do projeto baseado na confirmação daquilo que realmente foi solicitado. O empenho e o custo total podem ou não ser menor, mas no mínimo, você terá mais informações detalhadas para defender suas estimativas.

 Utilize um Pacote de Informações para dar Suporte a Suas Estimativas (2.2.1.P12)

Na próxima vez que você for solicitado para fornecer uma estimativa para uma parte principal de um trabalho, considere a apresentação de um pacote de informações. Não necessita ser um documento muito extenso. É somente para mostrar o rigor que você utilizou. Você deve considerar esta abordagem principalmente se o trabalho for político de natureza, ou se você achar que sua estimativa não será aceita. Ao invés de fornecer somente um número final, ou uma gama de números para sua estimativa, forneça as seguintes informações.

  • Sua compreensão em relação ao trabalho solicitado.

  • O processo que você utilizou para preparar a estimativa.

  • A(s) técnica(s) de estimativas que você utilizou.

  • A estimativa do esforço do trabalho (de duração e custo, se aplicável).

  • A informação detalhada da estimativa para o caso da pessoa que a receber querer revisá-la. Por exemplo, se você fez uma Estrutura Analítica do Projeto (EAP), você pode incluir suas estimativas detalhadas do trabalho.

  • As Premissas que você fez durante o desenvolvimento da estimativa.

  • O nível de incerteza nos números, o qual se reflete na reserva de contingência ou no tamanho da gama da estimativa. (Quanto mais ampla a gama, mais a incerteza é refletida).

Este seria um poderoso pacote de informações para ser fornecido ao solicitante. Se houver discordância na sua estimativa, os fatos dirão. Muitos desafios também cessarão, porque as pessoas terão dificuldades para desfiar seus fatos. Podem lhe pedir que mude suas Premissas, ou que tente outras técnicas de estimativa. Estas são solicitações legítimas e você pode reestimar com base nestes novos critérios. Mas, pelo menos, os desafios são em termos do processo de estimação, e não encima do fato de você ter feito ou não um trabalho ruim.

 

Fazer Estimativas baseado no Entendimento do Nível de Exatidão Requerido (2.2.1.P13)

Normalmente, dependendo de quando a estimativa é solicitada, o cliente espera diferentes níveis de exatidão nas estimativas do gerente do projeto (ou da equipe do projeto). Por exemplo, quando um projeto é proposto a primeira vez, o cliente poderá solicitar uma estimativa, em um nível elevado de esforço, de custos e de duração. Neste ponto, o projeto é vago e a estimativa também será vaga. Em muitos casos, a estimativa é utilizada somente para determinar o tamanho do projeto, de modo que o cliente tenha uma compreensão sobre a quantidade de trabalho  que será requerido. Por exemplo, o projeto necessitará de 1000 ou de 100.000 horas de esforço. Este é um tipo de estimativa grosseira (Inglês: Rough Order of Magnitude) e poderá estar na escala de -50% a +100%. Ou seja, se a estimativa preliminar do trabalho for de 1000 horas, você poderá propor a estimativa grosseira (ROM) de 500 a 2000 horas.

Normalmente, quando o projeto chega ao meio do processo de aprovação, o estimador torna-se mais informado sobre as expectativas e sobre as entregas, isso permite que as estimativas se tornem mais precisas. Quando o projeto estiver sendo proposto em termos de financiamento, você deverá estimar com maior precisão, talvez -15% a +25%. Ou seja, se sua estimativa for de 1000 horas, você poderá propor uma escala de 850 a 1250 horas.

Após ter definido o trabalho e construído o Cronograma e orçamento formalmente, o gerente e a equipe do projeto deverão revalidar a estimativa.  Agora, a estimativa resultante deverá ser mais próxima de -10% a +15%. Ou seja, se a sua estimativa final para o esforço for de 1000 horas, você deverá sentir que  realmente poderá entregar o projeto dentro de 900 a 1150 horas.

 

ESTIMATIVA

PRECISÃO

FINALIDADE

ESTIMATIVA GROSSEIRA (ROM) - (CONCEPTUAL)

-25% a +100%

Avaliação dos projetos ou alternativas

PRELIMINAR (ORÇAMENTO)

-15% a +25%

Estabelecer o orçamento inicial, reservar capital para o projeto

DEFINITIVO

-10% a +15%

Estabelecer o orçamento atual do projeto – Após a definição do projeto

 

Estimando a Necessidade para uma Reserva de Recursos (2.2.1.P14)

Se possível você deve solicitar um orçamento de reserva para contingência para ir contra a incerteza em suas estimativas do orçamento e da duração do projeto. Você poderá necessita descrever e documentar um plano para executar esta reserva de contingência, incluindo quais e quando os recursos serão requeridos. Por exemplo, Recursos de mão de abra, ferramentas, equipamentos, hardware, software ou as fontes, etc.

Há inúmeras razões para planejar antecipadamente uma reserva de recursos.

  • O tempo é a essência. Em um projeto típico, se você descobrir que o trabalho está utilizando mais tempo do que o antecipado, você solicitará tempo e orçamento adicional. Entretanto, se a data final do projeto for fixo e não puder ser movida, você poderá não ter o tempo necessário para procurar recursos. Você poderá necessitar um plano que explica onde estão os recursos e como adquiri-los. Por exemplo, deixe-nos olhar os projetos sobre o assunto do “Ano 2000” (Y2K). Se o projeto estiver entrando nos últimos seis meses de 1999 e houver muitos trabalhos restantes, provavelmente o projeto teria um plano para terminar dentro de prazo, incluindo um plano para adquirir pessoas adicionais se necessário. Ter empregados internos identificados e na reserva permitirá que o projeto mova-se rapidamente no caso do mesmo determinar que mais recursos serão necessários.

  • Um custo incremental elevado dos recursos. Você pode ter os recursos que são menos caros quando comprados em grande volume, mas muito caro quando comprados incrementalmente. Por exemplo, se a entrega de seu projeto requer um hardware novo, você poderá descobrir que o preço por unidade diminui quando você compra mais unidades. Se você o estima que necessita de 100 unidades, dependendo da incerteza, você poderá decidir-se para comprar 110 unidades, e ter dez unidades na reserva. Você faria isto porque o preço para comprar as dez unidades extras (como uma parte da ordem de volume) é muito mais barato que mais tarde ter que comprar somente dez unidades, quando o custo incremental seria muito mais elevado.

  • Dificuldade para encontrar recursos especializados. Às vezes há um tempo de espera longo para adquirir os recursos especialistas e uma dificuldade muito grade  para encontra-los. Você poderá decidir reservá-los se achar que os mesmos serão necessários mais tarde. Por exemplo, você poderá trabalhar com uma empresa de RH antecipadamente para encontrar um recurso especialista, tais como um perito em alguma ferramenta obscura, mas a compreensão da exigência não é 100% certa. A empresa de RH pode trabalhar antecipadamente para encontrar este tipo de especialista e tentar ter o mesmo disponível em curto prazo se a caso e quando você o necessitar mais tarde no projeto.

Na maioria dos projetos, se você descobrir que necessita de mais recursos, você precisa somente falar com o seu patrocinador e revisar o orçamento e a programação se necessário. Entretanto, em alguns projetos você não tem o luxo do tempo adicional. Nestes casos o gerente do projeto deve identificar onde o projeto pode estar em risco e criar um plano para assegurar-se que os recursos sejam reservados se necessário. Às vezes você necessita realmente ter os recursos fisicamente disponíveis. Outras vezes, você necessita somente saber que poderá adquirir-los em curto prazo, se necessário. A necessidade para reservas tipicamente seria identificadas e controladas através do processo de gerenciamento dos riscos, com os recursos reservados que são uma resposta a um risco especificamente identificado no projeto.

 

Estimando o Trabalho de um Projeto Antes de Coletar os Requisitos Detalhados (2.2.1.P15)

Uma das preocupações de muitos gerentes de projetos é que eles são expectados fornecer uma estimativa detalhada do trabalho do projeto quando o documento Termo de abertura do projeto e o cronograma forem criados. Entretanto, nesse ponto, os requisitos detalhados ainda não foram coletados, então como poderão estimar detalhadamente o trabalho do projeto? A pergunta parece ser válida, contudo, quando falamos sobre o recolhimento de requisitos detalhados, normalmente estamos falando sobre a fase de análise, que faz parte do ciclo de vida do projeto, e não do trabalho preliminar de definição e de planejamento do projeto.

Seu primeiro pensamento poderá ser que talvez você deva ter os requisitos detalhados antes de se comprometer com uma estimativa para o trabalho. Mas será que isso realmente é prático? Vamos dizer que há um projeto típico de desenvolvimento de software. O projeto poderá durar seis meses e o processo de coleta dos requisitos poderá durar de seis a oito semanas (ou mais). Então, será que realmente devemos esperar para fornecer as estimativas do projeto somente quando os requisitos forem coletados e aprovados? Em caso afirmativo, o projeto poderá estar um terço concluído antes de validarmos o custo total e a data final do projeto. Caso o projeto não faça mais sentido na perspectiva de análise do benefício/custo, esta descoberta será muito tarde e você poderá já ter consumido uma quantia significativa de dinheiro. Esta é a razão por que a maioria das metodologias de gerenciamento de projetos não inclui o processo de coleta dos requisitos detalhados do projeto.

Da mesma forma, se você usar este mesmo argumento, você poderá dizer que ainda não está confiável para estimar o trabalho do projeto sem primeiramente concluir a fase de design, e então você não estará confiável para estimar o trabalho do projeto até que você tenha a fase de construção concluída, etc. Observe que esta mesma lógica poderá ser levada ao extremo.

As três abordagens seguintes, permitirão que você estime o trabalho do projeto antes de coletar os requisitos detalhados do projeto. (Isto supõe que você está coletando os requisitos como parte da primeira fase de execução do projeto. Se você usar técnicas ágeis ou iterativas você poderá coletar os requisitos de maneira iterativa durante todo o projeto.)

  • Abordagem tradicional: Quando você criar o documento Termo de Abertura do Projeto e o cronograma do projeto, estime o trabalho dentro de uma média de 10% a 15% . Entretanto, há uma suposição subjacente de que o gerente do projeto e/ou a equipe do projeto já realizaram esse tipo de trabalho antes, e baseado nos requisitos em um nível elevado poderão estimar o trabalho dentro de uma média de 15%. Se você descobrir que estimou incorretamente depois que os requisitos foram coletados, você deverá levar a situação ao patrocinador para resolução.

  • Fracionar o trabalho em partes menores: Se você não se sentir confortável para fornecer uma estimativa do projeto dentro de uma média de 15%, você poderá fracionar o projeto em múltiplos projetos menores. Quando você utiliza esta técnica, normalmente você cria somente o documento Termo de Abertura do Projeto e o cronograma para fazer a coleta dos requisitos do projeto. Você deverá poder estimar este projeto de coletar os requisitos do projeto dentro de uma média de 15%. Depois que este projeto de coletar os requisitos for completado, você poderá utilizar a informação para criar um segundo projeto para executar o restante do trabalho, que deverá ser estimado dentro de uma média de 15%. No final das contas, as entregas finais terão sido criadas através de dois projetos, cada um foi estimado e gerenciado dentro de uma média de 15% do orçamento (Fundos e prazos).

  • Estimar o trabalho em um nível elevado baseado no documento Termo de Abertura do Projeto e o cronograma, e então ajustar a estimativa depois que os requisitos forem coletados. Esta é uma variação da primeira técnica acima. Nesta abordagem, o gerente do projeto e a equipe fornecem uma estimativa (melhor adivinhação) do trabalho baseada no documento Termo de Abertura do Projeto e o cronograma do projeto que já foram criados. Esta estimativa poderá ser dentro de uma média de mais ou menos 25%. Entretanto, baseado nas normas da organização, esta não é a estimativa que o gerente do projeto deverá se comprometer para entregar o projeto. Esta estimativa é apenas a melhor adivinhação baseada na informação disponível no momento. Depois que os requisitos forem coletados, o gerente do projeto fornece uma estimativa mais detalhada do trabalho dentro de uma média de 15%. Esta é a estimativa que o gerente do projeto deverá comprometer-se.

Muitos gerentes de projetos pensam que a melhor abordagem é coletar os requisitos de forma iterativa. Entretanto, o ciclo de vida iterativo não fornece resposta nos termos de como estimar o projeto dentro de uma média de 15%. De fato, as abordagens iterativas poderão fazer este nível de exatidão mais difícil, porque você está coletando somente um subconjunto dos requisitos em cada iteração.

As três soluções acima fornecem um grupo das técnicas mais viáveis para estimar o trabalho dentro de uma média de 15%.

 

 

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