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9.2 Gerenciando a Qualidade / Técnicas

Seções:

Entender as Características da Qualidade para o seu Projeto (9.2.P1)

É difícil definir com precisão a qualidade de um produto ou de um serviço, pois o termo "Qualidade" é nebuloso e têm um significado diferente para cada pessoa. Você deve investir tempo para definir as características para cada serviço específico ou para cada entrega. Se você deseja assegurar que o serviço ou o produto atenda as expectativas do cliente em termos de qualidade, você deverá entender detalhadamente as características da qualidade.

A tabela abaixo mostra alguns exemplos das características específicas da qualidade.

 

Qualidade do Produto

O Produto:

Qualidade do Serviço

As Pessoas são:

  • É confiável

  • É fácil de usar

  • É fácil de manter

  • Está disponível quando necessário

  • É flexível para as necessidades futuras

  • Tem bom valor em relação ao investimento

  • É intuitivo/fácil de compreender

  • É seguro

  • É bem documentado

  • Tem o mínimo de defeitos (Não precisa ser perfeito)

  • É responsivo

  • Atende as necessidades do cliente

  • Prestativas

  • Competentes

  • Acessíveis

  • Cortês

  • Boas comunicadoras

  • Sinceras

  • Conhecedoras do cliente

  • Confiáveis

 

Utilize as Técnicas de Controle da Qualidade para Validar a Qualidade das Entregas do Projeto (9.2.P2)

As atividades de controle da qualidade são aquelas que focam na qualidade da entrega que está sendo produzida. Dependendo do tipo de projeto, as atividades seguintes são exemplos de atividades associadas ao controle da qualidade:

  • Listas de verificação (Checklists) para assegurar que as entregas são consistentes e contêm todas as informações necessárias. Para ver um exemplo, veja a seção 9.2.2 Gerenciando a Qualidade / Técnicas / Atividades de Controle da Qualidade .

  • Reutilização do software aprovado.

  • Padrões para assegurar a consistência.

  • Métodos estruturados para assegurar que sejam utilizados processos padronizados e testados.

  • Teste completo (unidade, sistema, integração, aceitação). O teste provavelmente é o aspecto do controle de qualidade mais utilizado atualmente. Embora haja muitas técnicas para incorporar a qualidade com maior antecedência, a confiança que você terá em relação à qualidade provavelmente decorrerão dos seus testes. Por esse motivo, você não pode descartar os testes. Os testes são a sua última barreira de segurança para garantir que a solução que você está entregando atende as expectativas do cliente. Geralmente, os testes são uma maneira de assegurar que a solução satisfaça os requisitos e esteja livre de defeitos. No entanto, os testes também são uma maneira de:

    • Confirmar a confiabilidade.

    • Assegurar que o produto funcionará perfeitamente nos ambientes para os quais ele foi projetado.

    • Certificar-se de que o produto não falhará dentro do ciclo de vida projetado.

    • Assegurar-se de que os resultados produzidos são consistentes e confiáveis.

    • Assegurar-se de que os resultados produzidos não irão degradar dentro do ciclo de vida projetado.

Para maiores informações sobre as atividades de controle da qualidade, veja a Seção 9.2.2 Gerenciando a Qualidade / Técnicas / Atividades de Controle da Qualidade .

 

Utilize as Técnicas de Garantia da Qualidade para Validar os Processo Utilizados na Criação das Entregas do Projeto (9.2.P3)

Como a garantia da qualidade é associada aos processos utilizados para criar as entregas, a técnica mais eficiente é uma revisão formal ou uma auditoria de garantia da qualidade. Em uma revisão da qualidade, um partido terceirizado faz perguntas sobre os processos que foram utilizados para criar as entregas. A finalidade desse processo é para assegurar que os mesmos são adequados. As entregas em si, não precisam ser revisadas durante essa revisão.

A auditoria da qualidade também deve verificar se os processos estabelecidos pelo projeto estão realmente sendo seguidos. Por exemplo, se a equipe tem processos formais para gerenciar as incidências problemáticas e as mudanças do escopo, a auditoria verificará as incidências problemáticas e as mudanças do escopo para constatar se os processos realmente foram seguidos. Isso deverá incluir uma revisão dos seguintes documentos:

  • Registro de incidências problemáticas

  • Registro das mudanças do escopo

  • Cronograma

  • Relatórios de andamento (Status) do projeto

  • etc.

Essas revisões deverão fornecer indicações de o quanto efetiva a equipe do projeto está sendo em seguir os processos de gerenciamento das incidências problemáticas e das mudanças do escopo.

Uma outra atividade de garantia da qualidade é uma espécie de lista de verificação (checklist), que assegura que foi seguido um processo padronizado para entregar as entregas. Por exemplo, uma lista de verificação (checklist) poderá incluir:

  • Datas de entrega das entregas

  • Datas de revisões das entregas

  • Validação de que todos os itens de ação foram concluídos

  • Datas de aprovação do cliente

  • etc.

Como a lista de verificação (checklist) foca no processo e não na entrega em si, ela é um exemplo de garantia da qualidade. Para maiores informações sobre garantia de qualidade, veja a seção 9.2.3 Gerenciando a Qualidade / Técnicas / Atividades de garantia da qualidade .

 

Há um nível de Confidencia nos Custos e nos Benefícios Relacionados ao Gerenciamento da Qualidade (9.2.P4)

Um dos princípios básicos do gerenciamento da qualidade é que os benefícios agregados a produção de uma solução ou de um produto com boa qualidade serão muito maior do que os custos associados ao gerenciamento da qualidade. Para uma explicação sobre os custos associados ao gerenciamento da qualidade, os benefícios da qualidade e os custo relacionados a má qualidade, veja a seção 9.2.1 Gerenciando a Qualidade / Técnicas / Custos e Benefícios Relacionados ao Gerenciamento da Qualidade .

 

Banhando em Ouro – Entregar Mais do que o Cliente Solicitou (9.2.P5)

Você deverá sempre esforçar-se para estabelecer com cuidado as expectativas, e então atender a essas expectativas. Você provavelmente já deve ter ouvido falar que é "Melhor prometer menos, e entregar mais". Na verdade, esta frase é valida somente em termos de gerenciamento da qualidade, se a mesma se referir a sua capacidade para entregar o produto ou entregar o serviço mais cedo do que o prometido, ou entregar o serviço por um custo menor do que o estimado. No entanto, não é um procedimento correto entregar mais do que foi solicitado pelo cliente, mesmo que seja em nível de qualidade.

O termo “banhando em ouro” refere-se a entregar mais do que o cliente solicitou. Embora pareça ser uma coisa boa, na verdade não é. Isso não é correto por dois motivos.

Primeiro, o foco principal do projeto deve ser sempre em assegurar de entregar o que o cliente solicitou – dentro do prazo e do orçamento. Acrescentar trabalho adicional, aumenta o risco do projeto não cumprir com o prazo final ou com o orçamento. Se você perder a data final do projeto, não será convincente explicar para o cliente que o prazo foi perdido devido ao acréscimo de trabalho não solicitado.

Segundo, se você adicionar mais trabalho, para entregar mais, você estará assumindo a responsabilidade de decidir sobre o que será mais valioso para o cliente. O cliente poderá ter bons motivos pelos quais as características adicionais não foram incluídas no escopo do projeto. Na verdade, elas podem ter um valor mínimo no ponto de vista do cliente. Poderá ser mais valioso para o cliente ter o produto ou a solução do projeto implementada mais cedo e com menor custo. A questão é que essa decisão cabe ao cliente e não ao gerente do projeto.

Se você prometer menos e entregar mais, isso deverá ser aplicado somente em relação as entregas do projeto entregar mais cedo ou por um custo menor do que o previsto. Não devemos englobar a entrega de requisitos que não foram solicitados. De fato, o cliente poderá solicitar a inclusão de requisitos adicionais no projeto, porem os novos requisitos deverão ser processados através de um processo de gerenciamento de mudanças do escopo. Se você puder entregar o projeto mais cedo ou por um custo menor, deixe que o cliente tome a decisão sobre o que fazer com a boa sorte.

 

Assegure-se de que o gerenciamento da qualidade foca nos processos e não nas pessoas (9.2.P6)

O foco do gerenciamento da qualidade é em construir processos de forma que toda a equipe do projeto possa produzir entregas que atendam as expectativas do cliente. Assim, se alguma entrega apresentar problemas em termos de qualidade, o gerente e a equipe do projeto deverão focar em como aperfeiçoar os processos e não em determinar quem é o culpado.

Muitos dos problemas relacionados à qualidade resultam dos processos inadequados ou insuficientes, e não por má-fé de uma pessoa em particular. De fato, no mínimo 80% dos problemas relacionados à qualidade podem ser resolvidos através das mudanças e de reforços dos processos. Menos de 20% dos problemas estão sob o controle de um membro da equipe. Além disso, normalmente os processos que a sua organização utiliza, são determinados pela gerência. Assim, quando os membros da equipe tiverem problemas relacionados à qualidade, é importante que a gerencia identifique os processos envolvidos que estão fracos ou quebrados, e então repare-os. Essa é uma responsabilidade da gerência e não da equipe do projeto. Isso não significa que a equipe não possa ser envolvida. Entretanto estabelecer e forçar os processos do negócio, primeiramente é uma responsabilidade da gerência. Para maiores informações sobre este assunto, veja a seção abaixo 9.2.P7 - A Qualidade é de Responsabilidade de Todos.

 

A Qualidade é de Responsabilidade de Todos (9.2.P7)

O gerente do projeto tem a responsabilidade pelo processo de gerenciamento da qualidade. Alguns projetos possuem uma função específica de auditoria da qualidade ou um especialista em testes. No entanto, ainda assim você tem pessoas específicas e responsáveis pela qualidade. A qualidade do projeto não é somente de responsabilidade de uma ou duas pessoas - é de responsabilidade de todos. Toda a equipe do projeto, incluindo o cliente, tem interesse em assegurar que o nível da qualidade das entregas produzidas corresponda as expectativas. Também, todos são responsáveis por contribuir com idéias para fazer aperfeiçoamentos dos processos que são utilizados para criar as entregas.

 

Assegure-se que a Qualidade Seja uma Mentalidade, e Não um Único Evento (9.2.P8)

Em alguns projetos, a qualidade é vista como uma etapa em particular do processo, ou talvez como uma série de atividades no final do projeto. No entanto, para que seja efetiva, as pessoas precisam adotar uma mentalidade contínua sobre a qualidade. Cada membro da equipe do projeto precisa assumir a propriedade da entrega que ele for produzir e assegurar-se de que a entrega será produzida com qualidade. Também, os membros da equipe do projeto não devem ficar na defensiva quando terceiros revisarem seus trabalhos. Os membros da equipe devem perceber que os processos de gerenciamento da qualidade permitem a equipe do projeto produzir entregas com uma mínima quantidade de erros e de retrabalho.

A qualidade das entregas de um projeto começa na fase de planejamento do projeto, mas os plano e os processos da qualidade necessitam ser executados e monitorados durante todo o projeto. Uma abordagem multifária sobre a qualidade inclui os seguintes itens.

  • Estabelecer cedo um plano de qualidade para o projeto.

  • Incorporar a qualidade dentro da equipe do projeto. (através de treinamento, comunicação, etc.)

  • Incorporar a qualidade dentro de todos os processos de trabalho. (análise, design, construção, etc.)

  • Incorporar a qualidade dentro de todas as entregas de gerenciamento do projeto.

  • Incorporar a qualidade dentro de todas as entregas do projeto.

Identifique e Minimize o Retrabalho (9.2.P9)

Teoricamente, se você tiver um processo rigoroso, em termos de qualidade, não haverá motivos para discutir sobre o retrabalho. De fato, o retrabalho é o resultado da ausência de processos rigorosos da qualidade. Mas, também sejamos práticos. Nenhum projeto pode investir o tempo e o esforço que seria necessário para garantir que todas as entregas sejam perfeitas na primeira vez. Mesmo uma empresa que opera a um nível de "Seis-Sigma" possui uma pequena probabilidade de erro.

Então, vamos supor que você tenha implantado um bom plano de qualidade. Mesmo assim, você ainda terá que lidar com o retrabalho. Há algumas metodologias que focam na criação das entregas sem depender da qualidade inicial, nesse caso, o retrabalho poderá fazer parte da natureza do projeto. Há alguns itens para termos em mente sobre o retrabalho.

  • O processo de retrabalho não é o mesmo processo que você usa normalmente para coletar feedback sobre as entregas. Se você criar um documento, por exemplo, e circulá-lo para coletar feedback, as mudanças não serão consideradas como retrabalho. Essas mudanças no documento são o seu processo para assegurar que você tenha um bom documento. Mas, se você publicar seu documento e após isso descobrir erros no conteúdo, as mudanças resultantes serão consideradas como retrabalho.

  • Embora você possa aceitar o retrabalho como parte da natureza do projeto, isso não significa que o gerente e a equipe do projeto não devam se esforçar para eliminá-lo. O seu objetivo deve ser sempre o de eliminar os defeitos e o retrabalho através de aperfeiçoamentos contínuos dos processos.

  • Se houver retrabalho, concentre-se em descobri-lo o mais cedo possível no ciclo de vida do projeto. Lembre-se de que os erros que surgirem na fase de análise, irão se propagar em erros na fase de design e na fase de construção. Se você não encontrar os erros até a fase de testes, poderá haver a necessidade do retrabalho em todas as fases do ciclo de vida (fases de analise, fases de design, e de construção). Por outro lado, se você reservar tempo para verificar se há erros na fase de análise, haverá uma menor chance de propagação de erros ao longo do projeto.

  • Você poderá documentar as informações sobre o retrabalho para determinar a quantidade de tempo do projeto que foi investido para resolver o mesmo problema pela segunda vez. Por exemplo, dentro do processo de teste, você poderá documentar o número de erros que foram resolvidos. Quando esses erros forem corrigidos, você poderá descobrir que as mudanças não funcionaram adequadamente, com isso você terá mais retrabalho. Também, você poderá descobrir que a resolução de um problema poderá causar erros em outras áreas e conseqüentemente gerar mais retrabalho. Você poderá documentar o número de erros resolvidos e o número de erros que requerem retrabalho. Se a sua equipe estiver cansada e trabalhar por longo tempo, o retrabalho tipicamente irá aumentar. Se possível, você deverá dirigir o retrabalho para zero.

  • O retrabalho não é o mesmo que uma mudança do escopo. O retrabalho é causado por problemas relativos ao processo de gerenciamento da qualidade. O retrabalho é necessário para trazer uma entrega para o nível da qualidade estabelecida no inicio do projeto. A mudança do escopo refere-se a uma solicitação para modificar um dos requisitos aprovados anteriormente. O esforço e os custos associados com o retrabalho precisam ser absorvidos pelo projeto. Já o esforço e os custos associados a uma mudança do escopo devem ser acordados e abonados pelo cliente.

 

Utilize Técnicas Sólidas para Resolver os Problemas Relativos a Qualidade (9.2.P10)

Se você está coletando métricas sobre os processos e as entregas do seu projeto, você poderá descobrir que não está cumprindo com os seus compromissos, em termos de qualidade. Há algumas técnicas que podem ser aplicadas para determinar quais são as causas dos problemas relacionados a qualidade, e determinar quais das causas têm a maior prioridade para serem resolvidas. Essas técnicas são as mesmas técnicas que podem ser aplicadas para qualquer cenário de solução de problemas. Três técnicas populares são descritas como parte da metodologia TenStep, são elas:

Para maiores informações sobre estas técnicas veja a seção 4.2 Gerenciando as Incidências Problemáticas / Técnicas. Também, você poderá obter informações adicionais sobre como resolver os problemas relativos a qualidade na seção 9.1.2 Gerenciando a Qualidade / Processo / Resolver os Problemas Relativos a Qualidade .

 

Para assegurar-se que um processo fique sobre controle, utilize estatísticas de Controle de processos e Gráficos de controle (9.2.P11)

Quando você investigar as causas dos defeitos (erros) em um produto, você observará que os defeitos geralmente caem em duas categorias. O Dr. Edward Deming chamava estas duas categorias de "Causa Especial" e "Causa Comum".

A categoria chamada de "Causa Especial" é relativa aos erros que os usuários do produto podem encontrar e resolver. Estes incluem defeitos, falta de treinamento, uso inadequado do equipamento, vandalismo, etc.

A categoria chamada de "Causa Comum" é relativa aos erros que podem causar grandes variações na qualidade e incluir problemas sistemáticos que os usuários podem não estar cientes. Por exemplo, os erros do tipo "Causa Comum" podem incluir pequenas imperfeições no equipamento, design inadequado de um produto, desgaste lento do equipamento, os processos que estão funcionado mas não estão otimizados, etc. Estes são problemas "comuns", mas são muito difíceis para os usuários detectarem.

As técnicas de estatísticas de controle de processos (ECP) podem ser utilizadas para monitorar, gerenciar, analisar e melhorar o desempenho dos processos ajudando a eliminar as causas especiais da variação (os problemas relativos a qualidade que podem ser detectados com maior facilidade). Para maiores informação sobre estatísticas de controle de processos e gráficos de controle, veja a seção 9.2.4 Gerenciando a Qualidade / Técnicas / Estatísticas de Controle de Processos.

 

Veja também:

9.2.1 Custos e Benefícios Relacionados ao Gerenciamento da Qualidade
9.2.2 Atividades de Controle da Qualidade
9.2.3 Atividades de Garantia da Qualidade
9.2.4 Estatísticas de Controle dos Processos
 

 

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