Como podemos perceber, a contratação de um empreiteiro, ao invés de
transferir o risco da contratação do contratante para o contratado, acaba
ocorrendo da forma contrária. Como a maioria das empresas empreiteiras não
possui uma estrutura adequada para o porte dos projetos normalmente
contratados, todos os problemas que ocorrerem durante a duração do contrato,
ou mesmo após o término do projeto, acabarão atingindo quase que
exclusivamente a empresa contratante.
Como prevenir, então, os riscos mais comuns em contratos com empreiteiros? E
baixar a exposição ao risco dos contratos de construção?
Em primeiro lugar, é muito importante que tanto a empresa contratante quanto
o gerente do projeto tenham claramente definido como agir na contratação dos
empreiteiros. O ideal é que exista um processo que mostre os principais
passos que devem ser seguidos pelos profissionais que cuidam da contratação
das empresas terceiras. Pelo menos, deve existir um conjunto bem definido (e
conhecido) de regras, com o objetivo de não permitir a contratação qualquer
empreiteiro (como os que atuam na informalidade, por exemplo).
A partir deste ponto, a postura do gerente do projeto passa a ser
determinante. Ele não deve, em nome da economia no orçamento, contratar
qualquer empresa somente visando o baixo custo (e a sua empresa tem que
concordar com isso). É o típico caso onde o “barato sai caro”, porque um
custo muito baixo quase sempre significa um aumento significativo dos
passivos fiscais e trabalhistas que a empresa contratante acaba assumindo.
As empresas entregam os projetos, comemoram os resultados financeiros
obtidos, e muitos meses depois são obrigadas a pagar multas e condenações
pela falta de recolhimento de impostos e encargos trabalhistas por parte dos
empreiteiros.
Além de se preocupar com a documentação fiscal da empresa empreiteira, ainda
é necessário acompanhar a documentação dos funcionários. Permitir
trabalhadores sem registro em carteira é assumir todo o risco pelos
trabalhadores, principalmente quando se trata de acidentes de trabalho.
Neste caso, tanto a empresa contratante como o gerente do contrato
responderão solidariamente pelo ocorrido, portanto é recomendável não apenas
estar com a documentação em dia, mas também cobrar diariamente o atendimento
às normas de segurança.
Como os empreiteiros não possuem a estrutura adequada para o porte dos
contratos que são firmados, como a empresa contratante pode
responsabilizá-los pelos atrasos ou estouros no orçamento? Você já
conseguiu, alguma vez, executar uma ação contra um empreiteiro? É quase
impossível localizá-los depois do término do projeto (ou do contrato)!
Como não é possível, na prática, transferir os riscos de prazo e custo para
o empreiteiro (por mais que esses itens constem no contrato), fica ainda
mais evidente a necessidade de se exercer um controle efetivo sobre os
trabalhos executados (e isso demanda planejamento). Muitas vezes o gerente
do projeto é obrigado a auxiliar o empreiteiro na gestão da sua própria
empresa e de suas equipes.
O último cuidado que listamos aqui é com a qualidade dos serviços entregues
pelos empreiteiros. Historicamente, a construção civil convencional não tem
sido o melhor exemplo de qualidade em relação ao produto final, e quando
você adiciona a esta realidade diversos empreiteiros mal estruturados, com
pessoal sem o devido treinamento, e sem um controle adequado da produção, o
resultado pode ser catastrófico. Como entregar um produto melhor ao cliente,
saindo dessas condições? Contratando empreiteiros comprovadamente
qualificados, com boas referências de trabalhos semelhantes anteriores, e
com estrutura adequada (funcionários, equipamentos) para o serviço.
Desta forma, o gerente do projeto consegue reduzir os riscos na contratação
de empreiteiros, e potencializar os resultados da empresa nos projetos. Com
a diminuição dos passivos, a empresa ganha no longo prazo, diminui os
problemas na justiça e com os clientes, e valoriza o seu produto final.
Pense nos riscos que você está assumindo na próxima contratação! E não abra
mão de contar com o auxílio de um bom advogado. Nem sempre vale a pena optar
pelo fornecedor mais barato, quando tantas responsabilidades estão em jogo!