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Satisfação do cliente: entender, avaliar, definir e gerir as expectativas do cliente de modo a satisfazer os seus requerimentos. Isso exige uma combinação entre a conformidade com os requisitos e a adaptação ao uso, isto é, o projecto deve produzir o que afirmou que produziria e deve satisfazer as reais necessidades do cliente.
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Prevenção sobre a inspecção: o custo da prevenção é geralmente mais baixo que o valor da correcção quando encontrados nas inspecções.
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Melhoria contínua: o ciclo planear-fazer-verificar-agir (PDCA – Plan, Do, Check, Act) é a base da melhoria continua da qualidade, como definido por Schewhart e mais tarde por Deming.
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Responsabilidade das direcções: o sucesso requer a participação de todos os membros da equipa de projecto, mas é responsabilidade das mais altas hierarquias das organizações proverem os recursos necessários ao sucesso.
São cada vez mais numerosas as vozes que questionam a qualidade dos projectos executados em Angola. Grande parte destas vozes é dos usuários dos produtos ou serviços resultantes desses projectos.
Em muitos casos evidencia-se um grande distanciamento entre aquilo que são as necessidades e expectativas dos clientes (usuários finais) e o que lhes é entregue. O processo de identificação das partes interessadas, entre as quais se incluem os clientes, que se aconselha realizar logo no inicio do projecto, não é uma prática comum nos projectos em Angola. Para além da identificação das partes interessadas, o referido processo visa compreender as suas necessidades e expectativas. Na maioria dos casos em que se exercita este processo, a listagem das principais partes interessadas no projecto fica em letra morta no documento do termo de abertura do projecto.
A falta de placards informativos sobre muitos dos projectos em execução é a grande evidência do desprezo pelos usuários (clientes finais) em Angola. Então, como não é proibido sonhar, cada um imagina a sua maneira e defrauda-se no final, pois o resultado representará apenas o que está na mente de poucos.
A instalada cultura da bajulação em Angola é evidenciada na primazia da satisfação das necessidades e interesses do chefe, ficando o cliente em segundo plano.
A inadequação ao uso é outro dos problemas dos projectos, quando não se considera os usuários como uma das principais partes interessadas no mesmo. A via expresso, circular a Luanda, é um bom, ou melhor, mau exemplo desta inadequação. Só assim se compreende as enormes carências de sinalização e passagens para peões nessa via, resultando em constantes acidentes, grandes danos materias e, ainda pior, a perda de muitas vidas humanas. Uma correcta gestão deste projecto concreto teria levado a compreensão da necessidade de travessias de peões, de escapatórias para paragens de táxis, de boa sinalização, elevando os níveis de segurança dos utilizadores e consequentemente a sua melhor aceitação da via.
Entretanto, para quem utiliza a referida via, naturalmente não pode considerar que a mesma tenha qualidade, porque não satisfaz as suas expectativas e até é inadequada ao uso, sendo apenas utilizada por falta de alternativas melhores – quem não tem cão, caça com gato.
O velho provérbio popular de que mais vale prevenir do que remediar aplica-se perfeitamente as questões da qualidade. A gestão de qualidade moderna privilegia os aspectos da prevenção sobre a inspecção. Prevenir em qualidade significa optimizar os processos de gestão e de produção de modo a garantir o mínimo de defeitos nos produtos. A optimização dos processos de gestão e produção aumenta a probabilidade de produto sair sem erros na primeira tentativa. Para o efeito, é importante que se estabeleçam auditorias aos processos de gestão de projectos. Entretanto, em Angola pouco se fala em auditar os processos de gestão de quem executa e gere os projectos.
Em quase todos os projectos existe a figura do fiscal, cuja função é de inspeccionar o produto final ou fase deste. Pouco se houve falar de auditorias aos processos de gestão.
Processos de gestão eficientes conduzem a designada garantia de qualidade dos projectos. Num limite puramente teórico, um processo ideal garante a produção de um produto sem falhas.
Por mais capacidade que determinada empresa possua, se não possuir bons processos de gestão, os seus resultados qualitativos serão sempre questionáveis.
As organizações comprometidas com a qualidade devem apostar na melhoria contínua da mesma. Este desiderato só é alcançável seguindo o princípio de primeiro planear e depois executar (Plan and Do). Quanto mais detalhado for o planeamento, menor será o risco de insucesso.
Importa que se implementem sistemas de monitorização que permitam uma permanente visualização do estado de projecto (Check). Caso necessário, medidas de controlo serão executados de modo a efectuar as devidas correcções e repor o projecto no trilho certo (Act).
O planeamento é provavelmente um dos maiores défices nos projectos no nosso pais. A ânsia de fazer acontecer, a cultura do empirismo, o querer mostrar trabalho ao chefe e a falta de conhecimento para planear eleva o risco de insucesso nos nossos projectos. A falta de planeamento condiciona a monitorização e, consequentemente, as necessárias correcções no caso de desvios, não permitindo qualquer processo de melhoria de qualidade. Este aspecto, somado a falta de registo das lições apreendidas justificam a constante repetição de erros nos projectos em Angola.
Como referido pelo PMBoK, é da responsabilidade das mais altas hierarquias das organizações o provimento dos recursos (humanos, materias e financeiros) necessários a obtenção do sucesso do projecto, ou seja, para a obtenção de produtos, serviços ou resultados de qualidade.
A não disponibilização desses recursos nas quantidades e no tempo requerido normalmente tem um impacto negativo na qualidade do projecto. São consabidos os grandes incumprimentos dos cronogramas de desembolso financeiro de muitos projectos em Angola, levando ao extremo da paralisação dos mesmos.
Sem tentarmos ilibar de responsabilidade as empresas contratadas para a execução dos projectos em Angola, a análise acima evidencia o elevado grau de responsabilidade dos gestores na baixa qualidade dos projectos. É sua responsabilidade primária identificar as necessidades e expectativas dos clientes (usuários), promover as auditorias aos processos de gestão de projectos, fazer o seguimento do ciclo de melhoria contínua e garantir a disponibilidade de recursos para o projecto.
Isso poderá ser uma das razões da baixa qualidade de projectos executados em Angola por algumas empresas com provas dadas noutras paragens.

