ARTIGO ESPECIAL
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Biografia:
Gilberto Arruda
Cerqueira Xavier, MsC., PMP
Gerente de Projetos.
Trabalhou em vários projetos de tecnologia da informação em instituições
governamentais e no setor privado. Tomou parte ativa na criação do
sistema de avaliação de exercícios militares da Força de Fuzileiros da
Esquadra (SAE-FFE). Assumiu por quase dois anos a função de Gerente de
Tecnologia do Projeto do Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM). Foi um
dos criadores do SIMEC (simec.mec.gov.br), projeto coroado de sucesso
que hoje está em utilização pelo MEC e outros órgãos do governo.
Trabalha atualmente na maior empresa de tecnologia do Brasil, a Politec.
Contatos:
gilberto.xavier@bsb.politec.com.br ou
gilbertoxavier@gmail.com.
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OS ATORES EM UM PROJETO -
As áreas de influência e de interesse - A
Matriz de Relacionamentos de Atores -
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Os stakeholders em
um projeto.
A fim de padronizar
um entendimento, neste artigo trataremos os stakeholders como atores.
Qual a melhor
definição de um ator em um projeto? Qual a importância em identificá-los
e saber até que ponto eles podem intervir no resultado do trabalho?
Seguramente não
encontraremos uma única definição para este termo, mas, para podermos
conduzir o nosso raciocínio, proponho uma das mais abrangentes que
define os atores como todos aqueles (pessoas ou instituições) que tenham
interesse no projeto.
Interesse significa “algo que queremos, desejamos ou preferimos”, ou
ainda, “conveniência,
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vantagem ou utilidade que alguém encontra em
alguma coisa”.
Se pararmos para pensar um pouco mais sobre a atuação dos atores, veremos
que muitos possuem não só interesse, mas também influência na
condução do projeto.
Influência, por sua vez, significa “p oder
ou ação que alguém exerce sobre outrem ou sobre certos fatos ou negócios“.
E por que é importante
saber discernir estes dois conceitos?
Porque é justamente na
percepção da fronteira entre o interesse e a influência que se encontra o
ponto focal da administração ou gerência de como se conduzir, no projeto,
entre os atores.
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É justamente na percepção da
fronteira entre o interesse e a influência que se encontra o
ponto focal da administração ou gerência de como se conduzir, no
projeto, entre os atores. |
Vejamos,
por exemplo, um projeto que tem por produto a reorganização da
administração de uma empresa. Um ator cuja função passe a ser
valorizada e, portanto venha a ser afetado positivamente com o
sucesso do projeto, fará o que for possível para que ele tenha
sucesso. Suponhamos que outro ator seja afetado negativamente
com o produto do projeto. É lícito esperar que ele faça tudo o
que for possível para que o projeto não alcance êxito. |
Em ambos os casos a
capacidade de atuação dos atores estará contida dentro de sua área de
influência, que pode não ser coincidente com sua área de interesse.
Note que aqui já
introduzimos outro conceito, “a área”, que desta feita está se associando
aos interesse e influência.
Neste ponto é
necessário firmar os dois conceitos, agora somados à área.
Os Conceitos de área de
Interesse e Área de Influência
A área de
influência é aquela em que o ator possui capacidade (ou poder) de
alterar o equilíbrio, enquanto a área de interesse é aquela em
que o ator precisa ou quer manter controle, mas não tem poder direto para
fazê-lo.
Na figura a seguir
podemos perceber que a área de influência estará sempre contida na área de
interesse, ou seja, um ator sempre terá interesse em uma dimensão
maior que sua própria influência.
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Na hipótese
limite, que podemos considerar como exceção, as áreas se
confundem.
No momento
em que a equipe do projeto, que também é formada por atores,
começa a listar os atores envolvidos, é de grande importância
que haja uma classificação do grau de influência e de interesse
de cada um e que se tente levantar as áreas onde se aplicam.
Os
conceitos de áreas de interesse e de influência não são novos.
Eles têm sido largamente utilizados pelos planejadores militares
no Brasil e no exterior. Não podemos negar que, em conflitos
armados, cada batalha é um projeto pela própria definição.
Imaginemos então o emprego (aplicação) de uma |
força militar: enquanto
a influência está na conquista dos objetivos, o interesse pode estar muito
além do local de sua aplicação.
A Matriz de Relacionamento
de Atores
Quando analisamos o
interesse e a influência de cada ator sem se preocupar com a área de
aplicação, estamos, de certo modo, buscando preencher uma matriz semelhante
à abaixo apresentada.
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MATRIZ DE
RELACIONAMENTO DE ATORES (MRA) |
|
ATOR |
Influência |
Interesse |
|
|
Quanto ao grau |
Quanto ao tipo |
Direto |
|
Alta
|
Positiva |
Indireto |
|
Média |
Negativa |
Não
identificado |
|
Baixa |
|
Político |
Quando também nos
preocupamos com as áreas onde o interesse e a influência são aplicadas,
podemos elaborar uma outra matriz como a abaixo descrita.
|
ÁREAS DE
INFLUÊNCIA E INTERESSE (MRA) |
|
ATOR |
Influência |
Interesse |
|
Fulano |
Diretoria |
Presidência |
|
Marketing |
|
|
Logística |
|
|
Etc. |
|
A combinação das duas
matrizes deverá traduzir um mapeamento mais completo dos atores no projeto.
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ÁREAS DE
INFLUÊNCIA E INTERESSE (MRA) |
|
ATOR |
Influência |
Interesse |
|
Fulano |
Diretoria |
Positiva e Alta |
Presidência |
Indireto e
Político |
|
Marketing |
Positiva e Alta |
|
|
|
Logística |
Negativa e Alta |
|
|
|
Etc. |
|
|
|
Um bom sistema de
comunicação (Gerência de Comunicações) deverá levar em consideração o
resultado das matrizes de atores e o Gerente deverá estar particularmente
atento com os atores cuja influência seja “alta” e o interesse “direto”.
Poderá ser o caso,
inclusive, de gerar fatores de risco ou de oportunidades no projeto quando
atores nesta classificação fizerem movimentações numa ou noutra direção que
afetem o planejamento.
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Um bom sistema de
comunicação (Gerência de Comunicações) deverá levar em
consideração o resultado da MRA e o Gerente deverá estar
particularmente atento com os atores cuja influência seja “alta”
e o interesse “direto” |
Obviamente
a Matriz de Relacionamento de Atores (MRA) deve ser dinâmica, ou
seja, o Gerente não deve contentar-se com uma matriz feita ao
início do planejamento e considerar que nada irá mudar. Sabemos
que isto não é real.
Outro
enfoque bastante interessante quando construímos a MRA e
identificamos os interesses está na abordagem política. |
Podemos dizer que é
quase uma arte a capacidade de perceber até que ponto determinado ator tem
interesse político no projeto. Isto porque nem sempre este interesse é
claro, transparente. Ao contrário, na maioria das vezes ele está envolvido
por “cortinas de fumaça” que impedem sua visibilidade.
Uma forma de buscar
vencer esta dificuldade é o estudo do histórico da instituição, de seus
componentes e da própria criação do projeto em si, ou seja, o ambiente
organizacional.
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Uma forma de buscar vencer a
dificuldade do levantamento do interesse político é o estudo do
histórico da instituição, de seus componentes e da própria
criação do projeto em si. |
Podemos,
entretanto, afirmar que o fato de não conhecer os interesses
políticos dos atores envolvidos deve ser visto como uma fraqueza
e, portanto, um fator de risco na condução do projeto, exigindo
ainda mais atenção em sua gerência. |
Outro aspecto que
merece menção é o fato do interesse poder ser múltiplo, ou seja, não ser
auto-excludente, assim, deste modo, um ator poderá ter interesse direto e
político, ao mesmo tempo. Já a influência não admite esta duplicidade.
Um projeto, pela
própria natureza, é pleno de mudanças e interações internas que vão se
amoldando conforme a evolução dos fatos. E justamente em função desta
evolução é que o cuidado pelo controle da MRA deve ser constante para, se
possível, evitar que atores cuja influência seja positiva passem a ter uma
ação negativa ou, ainda, uma vez identificando os fatores que fizeram
determinados atores terem influência negativa, possam atuar sobre esses
fatores de modo a fazer com que aqueles atores mudem suas posturas.
Os Gerentes que
percebem em tempo a importância da MRA a constroem mesmo que intuitivamente
e, muitas vezes, alteram radicalmente o rumo de projetos que tinham tudo
para fracassar e, apesar dos problemas, alcançam o sucesso com seus atores
satisfeitos.
O que propomos é que
esta construção deixe de ser intuitiva e passe a fazer parte dos artefatos
da Gerência de Comunicações utilizados pelo Gerente e sua Equipe.
A necessidade de
construir a matriz deve estar diretamente ligada à capacidade de intervir
nos processos, o que normalmente estará dependente da estratégia de
negociações dentro do projeto. Ou seja, o Gerente do Projeto deverá
pessoalmente se preocupar com a MRA.
Outro ponto de suma
importância e que pode ser facilitado com a MRA diz respeito a evitar os
confrontos não planejados, particularmente dos demais membros da equipe com
os atores. Uma abordagem equivocada junto a um ator poderá trazer resultados
danosos ao projeto e colocar por terra todo um trabalho de bom
relacionamento já construído.
Há bem pouco tempo tive
a oportunidade de acompanhar dois projetos com resultados opostos: em um
deles o projeto atrasou e, apesar de todas as justificativas que existiam, o
atraso provocou decepção no gestor que, por sua vez, tinha se comprometido
com sua diretoria quanto ao prazo e previa uma promoção com o sucesso que
não aconteceu. O gestor, que era “parceiro” passou a ser um “inimigo” e a
criticar o projeto; no outro caso, o gerente percebeu que o cliente apostava
todas as suas fichas no sucesso do projeto e o encarava como algo pessoal,
apesar de demonstrar insegurança se a equipe conseguiria ou não ter êxito. O
gerente convidou o cliente para fazer parte da equipe e este aceitou,
colocando alguns representantes que acompanhavam diariamente tudo o que
acontecia. O sucesso alcançado foi total porque, ao quebrar o paradigma
entre contratante e contratado, o gerente conseguiu um grande aliado, que
passou a aprovar suas solicitações e a defender seus pontos de vista.
Nos dois exemplos acima
podemos perceber a diferença na percepção da influência e de interesse de
atores com poder de decidir e a forma como conduzir esta percepção.
Conclusão
Este trabalho busca
trazer à discussão um assunto que, apesar de ser conhecido, não é muito
estudado pela comunidade de Gerência de Projetos. Esta nova abordagem tem,
portanto, o propósito de alcançar um senso comum e, deste modo, contribuir
para reduzir o número de projetos sem sucesso.
A construção da MRA,
aqui apresentada, é uma proposta que merece discussão e, seguramente,
melhorias e inovações.
Vemos, por exemplo,
como sendo de suma importância o estudo do ambiente organizacional e do
próprio projeto em si, bem como o acompanhamento constante da evolução ou
movimentação dos atores dentro da matriz.
Os gerentes que
elaboram, mesmo que intuitivamente, uma matriz como as aqui propostas, têm
conseguido diminuir as fraquezas de seus projetos e, por outro lado, têm
valorizado os pontos fortes, aumentando, consideravelmente, as
possibilidades de sucesso.
Sabemos que este
assunto é rico em abordagens e, por isto, não temos aqui a pretensão de
dizer que concluímos a discussão. Muito pelo contrário, consideramos que ela
está apenas aberta e novas e frutíferas idéias surgirão para contribuir um
pouco com o sucesso na Gerência de Projetos.
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Copyright© 2008 Gilberto Arruda Cerqueira Xavier
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