Os ciclos de vida dos produtos no mercado estão a diminuir, com especial destaque para os produtos tecnológicos. O tempo entre o lançamento de um produto e a sua descontinuidade vem minguando de forma exponencial. Quase ninguém pode afirmar que tem o “último grito” de determinado equipamento, passe o exagero. No momento em que os produtos chegam aos consumidores, já está em linha de produção o novo modelo (produto substituto).
Assim, o cumprimento das datas de conclusão dos projectos assume-se como um factor cada vez mais importante para a viabilização dos produtos ou serviços resultantes dos projectos.
Países subdesenvolvidos, como Angola, sofrem grandemente do aqui designado “sindroma das inovações”. Na ânsia de se desenvolverem e aliciados pelas novas tecnologias, muitas vezes apresentadas por vendedores sem escrúpulos, as organizações nesses países aprovam muitos projectos tecnológicos fora de um plano estratégico de desenvolvimento. Mesmo aqueles projectos aprovados que fazem parte das carteiras de investimentos resultantes dos planos estratégicos, normalmente levam bastante tempo para o inicio da sua implementação, e outro tanto para a implementação do projecto (normalmente terminam muito fora dos prazos).
Não são raros os casos de projectos tecnológicos em Angola em que se constata a sua inviabilidade durante a fase de implementação, por razão do fim de suporte dos fornecedores, devido ao lançamento de novos modelos, ou, ainda, devido ao lançamento de outros projectos concorrentes com tecnologias mais modernas. Isso é consequência dos tais longos tempos para se decidir sobre o arranque ou não dos projectos, longos tempos de implementação e constantes lançamentos de projectos fora do plano estratégico (algum responsável vai a uma feira, encontra uma inovação, fascina-se… compra!). O sector das telecomunicações em Angola é fértil nesses exemplos.
Aí, para resgatar muitos desses projectos, são chamados à cena os “iluminados” consultores e os “salvadores” fornecedores (qual receita de kimbandeiros!) para mais um conselho - comprem esta nova tecnologia. É infalível!
Como já referido, o facto de muitos projectos não resultarem de um plano estratégico, facilita a aprovação de mudanças, o cancelamento de projectos em curso e o lançamento de novos projectos, ficando no ar a suspeição do aproveitamento desta situação para usufrutos, nada lícitos, por parte de quem decide ou quem tenham capacidade de influenciar as decisões.
Para piorar a situação, não são poucas as vezes em que são indicados membros das equipas de gestão e técnica dos projectos sem a qualificação e experiência para o desempenho das suas funções. Não estamos aqui, obviamente, a passar um certificado de incompetência aos técnicos e gestores locais. Conhecemos muitos e bons! Queremos sim dizer que, infelizmente, muitas vezes, são utilizados critérios pouco transparentes na indicação dos gestores e membros das equipas de projectos. São notáveis traços de nepotismo e outros interesses, que se sobrepõem a selecção por competência.
Este cenário provoca constantes investimentos, que apenas beneficiam os fornecedores de produtos e serviços, na sua maioria estrangeiros, proporcionando uma exportação de capitais sem benefício para a nação. A grande população, a quem a maioria dos produtos e/ou serviços são destinados, fica eternamente a espera dos benefícios dos mesmos. Na maioria das vezes, simplesmente os produtos ou serviços não lhes chega ou, ao acontecer, chegam a preços exorbitantes e normalmente com uma qualidade que deixa muito a desejar.
Mais uma vez, o sector das telecomunicações em Angola é um bom exemplo deste flagelo. Todos os anos são anunciados milhões de dólares de investimentos em vários projectos que visam proporcionar uma série de serviços ao grande público. Muitos desses projectos, se não a maioria, são lançados. Entretanto, um número considerável não termina. Entre os que terminam, apenas um reduzido número resulta em mais valida de produtos e serviços para as populações. Para lembrar de projectos como a instalação de cabines telefónicas públicas, que apenas serviram para as inaugurações - praticamente nunca funcionaram; Alguns operadores do mercado lançaram projectos de telefonia sem fio – vida efémera e com baixa qualidade; Falou-se em projectos de tele-ensino, tele-medicina, etc. - Nada se viu; Projectos de redes de fibra óptica nas cidades e interligação entre as cidades - benefícios quase invisíveis para os utilizadores.
O estimado leitor poderá estar a pensar que a telefonia móvel é uma excepção. É claro, que a telefonia móvel é um facto. Porém, a melhor gestão dos projectos de telefonia móvel (telemóveis) proporcionaria melhor qualidade dos serviços e produtos que oferecem ao público, com preços bem mais aceitáveis. Todos nós, na qualidade de utilizadores da telefonia móvel, sentimos o deficiente serviço prestado pelos nossos operadores.
Portanto, é crucial que os projectos resultem de um planeamento estratégico e que não nasçam como resultado do aliciamento de vendedores, por aconselhamento de consultores sem ética ou por razão de interesses pessoais.
Uma vez aprovados os projectos e dado o seu pontapé de saída, urge que se olhe para os prazos de conclusão como um factor crítico de sucesso, principalmente nos projectos tecnológicos devido as constantes mudanças das tecnologias. Para o efeito, é necessário que as equipas dos projectos sejam constituídas por gestores e técnicos com conhecimento, experiência e capacidade para levarem os projectos a bom termo.
É igualmente importante que os patrocinadores dos projectos compreendam a sua responsabilidade no sentido da alocação dos recursos em tempo útil. Só assim, é que os mesmos poderão exigir resultados conforme o planeado.
Em conclusão, o aumento do grau de sucesso dos projectos tecnológicos em países como o nosso, cujo cumprimento dos prazos é um factor crítico, só será possível se os projectos escolhidos resultarem do desdobramento dos planos estratégicos das organizações, se forem indicadas equipas de projectos com profissionais competentes, e se os patrocinadores libertarem os recursos necessários em tempo útil.

