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Ao contrário do que
muitos pensam a gestão de demandas está muito associada à logística das
operações da empresa, da forma como as empresas tratam as suas
solicitações, sejam internas ou externas e as suas relações com a
capacidade de absorção pela área produtiva e de projetos.
As incertezas das
demandas aliadas à capacidade execução pela área de projetos
caracterizam um problema cada vez mais enfrentado pelos gerentes de
projetos.
Gerenciar o
conjunto de demandas de forma que possam ser transformadas em pacotes de
projetos gerenciáveis é o grande desafio dos gerentes de projetos, mas
para isso é preciso entender que projetos devem nascer após uma gestão
efetiva das demandas que acabam influenciando o ciclo de vida dos
projetos.
Quase sempre
acontece de duas formas, se a demanda aumenta conseqüentemente
aumenta-se à quantidade de recursos, se a demanda diminui retira-se os
recursos alocados para a execução destas demandas, no entanto existe uma
limitação neste tipo de abordagem, pois nem sempre a organização
consegue ativar ou desativar recursos devido à rapidez com que as
demandas surgem. |
Introductory
Project Management Guide
Autor Mike Sisco

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Uma forma de se atender as demandas é alocar um número máximo de recursos
para atender a uma quantidade limitada de demanda, ou seja, a área de
projetos precisa estabelecer um número máximo de demandas que podem ser
atendidas num determinado período estabelecendo assim um nível de serviço
com o cliente. A decisão por um nível de serviço inferior a 100% pode ser
assim explicada: estar preparado para atender a demanda máxima pode ser mais
caro do quanto se ganha nos poucos momentos em que a demanda é superior aos
85% previamente definidos como nível de serviço.
Tanto a ociosidade como a insatisfação dos clientes não atendidos, são
situações indesejáveis para a área de projetos que fixou um nível de serviço
com o cliente. O presente artigo está dedicado aos mecanismos que podem ser
usados para trabalhar a demanda no sentido de ajustá-la a capacidade
existente.
Gerenciamento da demanda
Diferentemente da capacidade, a demanda por produtos / serviços não é uma
variável sob controle direto do escritório de projetos, por exemplo, ou até
mesmo a área de TI de uma organização. Ela é influenciada por fatores tais
como prioridade praticada pelas diversas áreas, publicidade de uma lei
reguladora, nível de atividade econômica de um determinado setor,
necessidades momentâneas do cliente, acessibilidade do serviço, etc. No
entanto, o prestador de um serviço pode exercer alguma influência sobre o
comportamento da demanda mediante o uso de um ou mais mecanismos que serão
apresentados mais adiante neste artigo.
O
requisito mais importante para gerenciar efetivamente a demanda é conhecer
quem são os clientes e entender suas necessidades. Tais informações ajudarão
o prestador de serviços a decidir que mecanismos serão mais efetivos no
gerenciamento da demanda de seus serviços.
Outra possibilidade permitida pelo entendimento do cliente e de suas
necessidades é a identificação e separação das diferentes demandas por
diferentes tipos de serviços oferecidos. Uma empresa cujo serviço é
tecnologia sabe-se, por exemplo, que a demanda por seus serviços pode ser
dividida entre demandas de manutenções evolutivas, corretivas e novos
sistemas. Ao estudar o comportamento dos clientes, ela descobre que há
clientes que utilizam mais demandas de manutenção corretivas e não utilizam
demandas de manutenção evolutivas. Certamente há padrões distintos de
demanda para os dois serviços. Isto pode significar que os recursos de
capacidade alocados a um e a outro serviço podem não estar adequados. Muito
provavelmente, também, os mecanismos para trabalhar a demanda pelos dois
serviços podem ser distintos.
O
conhecimento do cliente e de suas necessidades é uma condição necessária,
mas não suficiente para gerenciar a demanda. Os gerentes de projetos devem
também estudar a natureza e os condicionantes do comportamento da demanda.
Uma série de fatores de natureza social, política, econômica, geográfica,
etc. exercem influência sobre a demanda. Alguns destes fatores podem ser
regulares, outros não.
Descobrir os elementos que condicionam a demanda e entender seus efeitos
requer coleta de dados. O conhecimento desses dados não só ajuda o gerente a
determinar que mecanismos podem ser mais efetivos para influenciar a demanda
como também o ajuda a verificar se sua capacidade deve permanecer no nível
que está.
O
princípio básico que norteia o gerenciamento da demanda é a mudança do
timing da mesma. A idéia é a de que os momentos de pico sejam aliviados e os
períodos fora do pico, com excesso de capacidade, sejam mais bem utilizados.
Os mecanismos para lograr este propósito podem ser divididos em dois grupos,
a saber: gerenciamentos diretos da demanda, que pressupõem o contato com o
cliente e o conhecimento prévio de suas preferências ou disponibilidade
antes do momento da prestação do serviço; e gerenciamento indireto, que visa
induzir o comportamento dos clientes, na tentativa de desviá-los dos
horários de pico para os períodos em que se observa capacidade ociosa.
Alguns dos mecanismos mais usuais serão apresentados a seguir. Convém
observar, entretanto, que nem todos os mecanismos são apropriados ou viáveis
para todos os tipos de serviços.
Como influenciar as demandas
Negociação –
A prática de negociação para priorizar novas demandas, fazendo com que
demandas com maior impacto sejam atendidas mais rapidamente sem parar a
operação normal da organização representa um papel importante para
influenciar as demandas. Pode-se fazer com que as demandas de menor
importância sejam contidas para serem executadas no momento certo ou que for
de maior conveniência, desde que respeitada o acordo entre as partes.
Podem-se criar regras de priorização dependendo do tipo da demanda,
complexidade de execução, tempo estimado, prioridade e até mesmo a escala
hierárquica quando se trata de demandas internas.
Segmentação –
A importância em segmentar ou dividir seja o mercado ou as áreas da
organização para melhor atender, representa uma estratégia importante para
começar a conhecer o seu cliente e as suas necessidades, ou seja, a
prestadora de serviços deve começar a distinguir os segmentos que mais
demandam e a importância de cada área para a organização como um todo.
Outra possibilidade permitida pelo entendimento do cliente e de suas
necessidades é a identificação e separação das diferentes demandas por
diferentes tipos de serviços oferecidos. Uma empresa cujo serviço é
tecnologia sabe-se, por exemplo, que a demanda por seus serviços pode ser
dividida entre demandas de manutenções evolutivas, corretivas e novos
sistemas. Ao estudar o comportamento dos clientes, ela descobre que há
clientes que utilizam mais demandas de manutenção corretivas e não utilizam
demandas de manutenção evolutivas. Certamente há padrões distintos de
demanda para os dois serviços. Isto pode significar que os recursos de
capacidade alocados a um e a outro serviço podem não estar adequados. Muito
provavelmente, também, os mecanismos para trabalhar a demanda pelos dois
serviços podem ser distintos.
Desenvolvimento de
novos produtos ou serviços –
Muitas vezes os gerentes lutam para conservar os seus recursos no intuito de
atender as demandas que chegam, no entanto existem períodos de pico onde a
urgência da demanda aumenta e o impacto é maior, neste caso novos produtos
ou serviços representam um risco maior devido ao alto grau de incerteza.
Padronização –
Criar uma forma padronizada para as solicitações de demandas, quando
possível, auxilia a forma como as demandas são executadas, afinal de contas
se entra lixo sai lixo, esse é um jargão hoje em dia muito utilizado em
várias empresas, mas que nem todos entendem os seus significados, as
empresas precisam adaptar os seus processos internos para que o fluxo das
demandas percorra as vias normais e seus indicadores possam ser criados para
uma futura análise e correção do fluxo.
Educar os clientes -
Os esforços de comunicação podem ser úteis nas tentativas de suavizar o
comportamento da demanda, ajustando-se à capacidade existente. Cartas,
folhetos de propaganda, telefonemas podem lembrar o cliente sobre os
períodos de pico e incentivá-los a usar o serviço em períodos de demanda
menor. Não se trata, necessariamente, de oferecer facilidades, sim,
mostrar-lhes que fora do momento de pico o serviço pode ser feito com melhor
qualidade, com os recursos necessários, enfim com melhores condições.
Distribuir as demandas
em períodos planejados -
Este mecanismo
significa oferecer o serviço em dias ou em horários determinados de modo a
homogeneizar o comportamento da demanda e melhor usar a capacidade. Mais uma
vez é exigido um trabalho de comunicação da empresa, procurando mostrar aos
clientes as vantagens a ele proporcionadas pelo fato de ele usar o serviço
obedecendo a programação feita pela empresa.
Como os estoques sempre foram um importante mecanismo utilizado por quem
fabrica um produto para compensar as variações da demanda, muitos
prestadores de serviços procuram formas de usar este mecanismo em seus
problemas. Assim, por exemplo, uma empresa que espera completar a carga
solicitações para liberá-la para realizar as entregas está "estocando
demanda" até que esta chegue a um nível que justifique o emprego daquela
capacidade. A questão é saber o quanto está comprometendo o nível de
serviço. A consolidação da carga pode demorar mais do que o cliente está
disposto a esperar. Evidentemente a empresa está procurando otimizar os seus
recursos porque em caso contrário o custo da entrega do produto ou serviço
poderia ser muito alto.
Distribuir a demanda em períodos planejados ou qualquer outra forma de
"estocar demanda" é um truque cada vez mais perigoso. Os clientes são cada
vez mais exigentes, querem o serviço no momento em que eles determinam e não
no momento em que a empresa está disposta a prestá-lo. Se um concorrente se
"desconecta" dos demais, investindo em flexibilidade para oferecer o serviço
a qualquer momento, mesmo que seja por um preço um pouco mais caro, ele pode
ter vantagens competitivas porque os clientes sensíveis à rapidez podem dar
preferência a esta nova opção. Hoje em dia os clientes escolhem um
fornecedor pelo valor que estes proporcionam. Muitos clientes incluem o
tempo que levam para receber o serviço como um custo que deve ser somado ao
preço que eles pagam e, mesmo que o preço seja baixo, a relação entre
benefício e custo (preço mais o tempo de espera), ou seja, o valor
percebido, acaba sendo baixo. Por outro lado, um serviço rápido pode
representar maior valor porque os benefícios da rapidez (menos incertezas
sobre o tempo de espera, despreocupação, a não necessidade de planos
alternativos, etc.) atuam como um redutor do preço, aumentando a relação
entre benefício e custo.
Novos rumos da Gestão de Demandas
O
processo de gestão de demandas ocorre antes mesmo de iniciar o processo de
produção, ou seja, para podermos atender a demanda precisamos antes
entendê-la de forma que seja possível alinhar os interesses estratégicos da
organização as necessidades de negócio bem como a capacidade de absorção da
demanda.
Não só as indústrias, distribuidoras ou revendas precisam gerenciar as suas
demandas, mas as áreas internas das empresas também, existem projetos
internos que são gerados pela necessidade de uma área, projetos são
influenciados e muitas vezes criados na finalização do processo de gestão de
demandas.
Atualmente as empresas estão buscando ferramentas que auxiliem no tratamento
de suas demandas sejam elas empresas públicas ou privadas, sejam demandas
internas ou externas, o fato é que as demandas existem e precisam ser
atendidas, pois por trás de uma demanda existe um cliente exigente que
precisa ser observado e escutado para que o sucesso da entrega seja
completo.
Existem no mercado várias ferramentas proprietárias para gerenciar demandas,
inclusive soluções baseadas em software livre, que exibem análises
estatísticas, relatórios gerenciais comparativos, pesquisas de satisfação de
clientes entre outras funcionalidades, em nosso próximo contato estarei
mostrando as suas integrações com o processo de gestão de projetos e os
aspectos relacionados a Governança Corporativa e de TI.
Copyright© 2007
Rogério de Souza Leitão
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