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não
se recrimine: é normal que, em situações críticas, nosso sentido de
observação e o nosso bom senso esteja afetado. Mais normal ainda é que as
pessoas que estão dentro do contexto do projeto, principalmente enquanto
vivenciam o problema, não julguem com tanta clareza os problemas quanto as
que estão olhando de um ângulo externo.
3. Tente descobrir como aconteceu o desvio.
Provavelmente um ou mais problemas descritos abaixo foram os causadores do
atraso em seu projeto. A correta identificação das causas do desvio é o
principal fator de sucesso durante a negociação e o realinhamento do projeto
aos seus objetivos iniciais. A lista abaixo não pretende abranger a
totalidade das causas possíveis para um desvio em projetos, mas contém
algumas das mais comuns e prováveis causas deste tipo de evento. São elas:
-
Desconhecimento ou
desconsideração da importância de um ou mais interessados do projeto;
-
Ausência de padrões
e/ou métodos, desde o gerenciamento até a implementação do projeto;
-
Requisitos mal
definidos, entendidos ou implementados;
-
Estimativas falhas ou
excesso de otimismo durante a estimativa;
-
Tentativa de
implementação de todos os requisitos que surgem no decorrer do projeto
sem que seja feita uma renegociação do prazo inicial;
-
Aceitação por parte do
gerente do projeto de um cronograma imposto e virtualmente impossível de
ser cumprido;
-
Aceitação por parte do
gerente do projeto de uma diminuição de prazo sem a contrapartida de
aumento dos recursos;
-
Mudanças constantes das
prioridades por parte dos interessados;
-
Ausência de um estudo
detalhado e planejamento de riscos;
-
Mudanças constantes na
equipe do projeto;
-
Inexperiência da equipe
em relação às metodologias ou tecnologias utilizadas no projeto;
-
Utilização de
tecnologias novas, sujeitas a prováveis falhas futuras não catalogadas.
4.
Use o lema “Dividir para conquistar”
Não tente atacar o problema como um todo.
Lembre-se de que o projeto chegou ao ponto em que está provavelmente por
esta razão. Tente tratar o conjunto de problemas identificados no projeto
como um novo projeto. E neste novo projeto deve ser aplicado o processo de
decomposição, até que as partes possam ser devidamente mensuradas,
atribuídas a um responsável, orçadas e gerenciadas, de maneira que o
problema como um todo seja solucionado por meio do equacionamento de suas
partes.
Após dividir o problema em partes menores
e com maior possibilidade de gerenciamento, você deve conceber uma
estratégia de abordagem das partes, criando de preferência um novo
cronograma. Neste cronograma, você deverá especificar todas as tarefas
identificadas, dividindo-as em três grandes categorias: “tem de ser feito”,
“deveria ser feito” e “poderia ser feito”. A divisão das tarefas dentro
destas categorias deve levar em conta principalmente as expectativas do
cliente.
As tarefas que devem ser catalogadas na
categoria “tem de ser feito” são todas aquelas que o cliente julga
essenciais e que sem as quais o projeto não terá sucesso. Este é o ponto
mais crítico que deverá ser negociado, pois neste grupo estão aquelas
tarefas que, apesar de o cliente julgar essenciais, podem comprometer o
sucesso do projeto pela sua complexidade ou tamanho. Para estas tarefas, o
ideal é que sejam reanalisadas para que possam ser divididas em tarefas
menores e reclassificadas nos três grupos.
A categoria “deveria ser feito” contém
todas as tarefas que serão excluídas do escopo do projeto nesta nova
negociação. Podem até ser contempladas em outro projeto, mas neste não
deverão ser objeto de sua atenção.
O restante das tarefas, a categoria
“poderia ser feito”, podem ou não, dependendo do tipo de negociação, do
prazo restante, de fatores políticos ou da disponibilidade de recursos, ser
incluídas no escopo do projeto, pois são tarefas que, quando devidamente
gerenciadas, não causarão transtornos durante a execução do projeto.
5.
Negocie.
Diz o Guia PMBOK®
que 90% do tempo de gerente de projetos deve ser gasto em comunicação e que
negociação é uma das habilidades que os gerentes de projeto devem possuir.
Pois agora é a hora de utilizar toda essa sua capacidade. Neste momento em
que os problemas estão equacionados e divididos em partes menores é a hora
de negociar novos prazos, custos, mudanças de escopo, características do
produto, ou seja, tente redimensionar o projeto adequando-o à sua capacidade
de trabalho, pois é fato que produtos feitos sob pressão de prazos podem ter
quadruplicada sua quantidade de defeitos.
Utilizando uma linguagem bem popular, não
tente “tampar o sol com a peneira”. Não é mais hora de ceder em acordos em
que o risco seja alto para o projeto. Negocie de maneira proveitosa para
ambos os lados. Porém, sempre tentando manter o cronograma proposto e a
distribuição das tarefas nas três categorias e sempre mostrando ao cliente
que, apesar da redução do escopo do projeto, as tarefas eleitas serão
realmente implementadas no prazo e custo combinados e com a qualidade
desejada.
Lembre-se de que uma nova negociação será
muito difícil, ou quase impossível. Portanto, todos os aspectos do projeto
passíveis de serem renegociados devem ser levados em consideração neste
momento. Agora é o momento de, a partir da triagem dos requisitos originais
do projeto, tentar negociar o desenvolvimento de somente parte deles
(somente o que “tem que ser feito”).
Uma outra alternativa seria tentar dividir
o projeto em um maior número de entregas (marcos) que possam satisfazer o
cliente (módulos funcionais). Geralmente, assim é possível ampliar o prazo
quase que imperceptivelmente, e isso pode dar um novo fôlego à equipe do
projeto para que possam implementar as entregas posteriores com certa
tranqüilidade.
Por último, procure rever sua lista de
interessados (stakeholders) do projeto. Quem sabe você não esqueceu de levar
em consideração os interesses de alguém? Você deve ser muito criterioso
neste aspecto, pois gerenciar interesses e interessados com expectativas
diferentes pode ser uma experiência exaustiva, caso você não conheça
exatamente este conjunto de variáveis.
6.
Lembre-se.
Ao fazer a análise do desvio, verifique se
a equipe estava tendo erros em demasia nos testes e se os códigos estavam
sendo refeitos muitas vezes. Se isso for verdadeiro, deve-se rever toda a
modelagem e desenho do projeto (incluir a verificação no novo prazo) e
verificar o que pode realmente ser feito e o que realmente será jogado fora
(Isso mesmo!). Lembre que um código ou desenho ruim trará futuramente (e
provavelmente durante o projeto) um aumento significativo do esforço de
implementação.
De nada adianta a equipe trabalhar horas e
horas a fio, após o horário e durante o final de semana no início do
cronograma. O stress causado na equipe pode comprometer o adiantamento do
prazo conseguido, pois o cansaço dos membros da equipe pode vir a gerar uma
quantidade excessiva de falhas, que causarão o dobro de retrabalho nas
próximas semanas. Planeje o esforço dobrado de sua equipe para os momentos
finais de cada marco no cronograma, intercalando o esforço de cada um com
períodos de descanso alternados entre os membros.
Analise a equipe inicial do projeto.
Várias falhas no projeto inicial podem estar relacionadas com o desempenho
da equipe ou do gerente em relação a ela. Não reinicie o projeto sem a
certeza do comprometimento de todos. Caso venha a notar qualquer problema em
relação aos membros da equipe, negocie as substituições necessárias antes do
início do projeto. Faça essa verificação, na medida do possível, em conjunto
com a equipe, deixando “às claras” toda a situação. A equipe deve ver em
você um líder; deve confiar na sua lealdade para com todos. Caso contrário,
não haverá comprometimento. Isto quer dizer que você deve não só se
preocupar com o quanto a equipe pode contribuir no projeto, mas também com o
quanto você pode contribuir com a equipe.
Devemos acabar com a imagem do gerente de
projeto que passa o dia conferindo cronogramas e cobrando tarefas e prazos.
O gerente que realmente vivencia os problemas de sua equipe, ri e chora com
os sucessos e fracassos junto com ela. É parte integrante da equipe e
responsável direto pelo seu humor, ânimo, comprometimento e integração como
uma unidade. O gerente que dá atenção aos problemas de todos, mesmo os de
natureza pessoal, mostra não só companheirismo e amizade pelo próximo, mas
também que está trabalhando para o sucesso do projeto.
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Fontes:
PMBOK ®
Guide – Edição 2000 – Project Management Institute. Gerência de Projetos de
Tecnologia da Informação – Phillips, Joseph – Ed. Campus. Projetos
Virtualmente Impossíveis – Yourdon, Edward – Ed. Makron Books
Copyright© 2009
Sergio Laranja Sá Corrêa, PMP
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